Transportes marítimos: Brava de volta ao isolamento

Nova Sintra, 27 Fev (Inforpress) – A única embarcação que fazia a ligação Brava – Fogo, a qualquer hora, em caso de emergência, e que garantia o transporte de pessoas e mercadorias, passará a pernoitar durante três dias por semana na Cidade da Praia, ficando a ilha a mercê da sorte.

De acordo com a nova escala da Cabo Verde Fast Ferry, a que a Inforpress teve acesso, o navio Kriola, o único meio de transporte certo que ligava principalmente a rota Brava – Fogo – Praia e vice-versa, passará a pernoitar terça, quarta e quinta-feira no cais da Praia.

Mesmo os horários de viagem sofreram alterações, sendo que na segunda-feira passará a fazer a sua viagem normal, saindo e voltando para o porto de Furna.

Já na terça-feira, fará Brava – Praia, pernoita no cais da Praia, volta na quarta-feira logo cedo para a “Ilha das Flores”, regressando para a cidade da Praia por volta das 14:00, onde ficará… Quinzenalmente, às quintas-feiras, fará viagens para São Nicolau, regressa e fica na Praia.

Na sexta-feira, volta ao cais da Furna, saindo da Praia logo às 9h00, pernoitando na Brava, e no sábado, fará o percurso Brava – Fogo – Brava.

Caso alguém quiser passar o final de semana na ilha, não consegue viajar na sexta-feira, pois, a embarcação partirá logo cedo da Praia e sai do Fogo ainda antes das 16horas, que normalmente termina o período laboral.

Não obstante a isso, muitos pacientes deslocavam-se da ilha Brava à ilha vizinha do Fogo para as suas consultas ou para a realização de algum exame, na parte de manhã e regressavam logo à noite.

Mas, com a nova escala, já não podem fazer isso, sendo obrigados a passarem uma ou mais noites no Fogo.

Além destes factos, caso acontecer alguma emergência na ilha Brava, não existe nenhum outro meio de transporte para socorrer as vítimas.

Há alguns meses, a Polícia Nacional da ilha foi apetrechada com uma embarcação, mas esta não possui condições para transportar doentes.

Já existem alguns rumores no seio dos comerciantes na ilha, que sempre reclamaram do problema do transporte das mercadorias que muitas vezes não é suficiente para abastecer o mercado, com esta nova escala, ficarão “mais prejudicados”.

Entretanto, a classe pretende reagir mais adiante, caso esta escala for a mesma que irá vigorar.

Fonte: Inforpress