São Vicente: PAICV diz que há situações de fome em Cabo Verde e propõe “amplo debate”

Mindelo, 22 Fev (Inforpress) – Os deputados eleitos pelo círculo eleitoral de São Vicente do PAICV asseguram haver situações de fome na ilha e noutros lugares do País e pedem agendamento de um “amplo debate” para avaliar a profundidade do problema.

A porta-voz dos deputados do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Josina Fortes, que falava hoje em conferência de imprensa, no Mindelo, refuta, assim, a declaração do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva de que não há fome em Cabo Verde.

Segundo a mesma fonte, durante a visita que fizeram ao círculo notaram “pessoas que comem uma concha e meia de sopa por dia de segunda à sexta-feira e nos fins-de-semana esperam pela segunda-feira seguinte para voltarem a pôr qualquer coisa no estômago”.

A deputada nacional referiu-se ainda a outras situações como de mães solteiras que pedem um pão para dar aos filhos e ainda de jovens chefes de família que recolhem restos de comida no lixo, como “último recurso” para sustentar as famílias, e que foram relatadas pelos cidadãos e organizações da sociedade civil.

“Urge perguntar, como estão a ser orientadas e canalizadas e distribuídas as verbas do Estado, ou seja, dos contribuintes e das ajudas que são dadas ao País para cumprir o papel de redistribuição, maior igualdade social e solidariedade, que o Estado está incumbido de cumprir, através da gestão do nosso Governo”, questionou.

Josina Fortes relembrou que a pobreza extrema “aumento de 10 por cento (%) em 2015 para 23,9% em 2019” e agora não se sabe quanto estará em 2022, neste ano que a escalada do custo dos bens essenciais não para, já se perderam “mais de 45 mil empregos”, o “número de desesperançados triplicou” e carga fiscal “não para de aumentar”, enumerou.

“Perante este cenário lamentável, propomos, com carácter de urgência, um amplo debate nacional que parta de uma auscultação sistemática de toda a sociedade civil cabo-verdiana”, sublinhou a porta-voz, exortando que seja avaliada a profundidade do problema de carência alimentar que “um número crescente dos cidadãos tem vindo a enfrentar”.

Por outro lado, o PAICV propõe a reposição do serviço de refeições quentes em cantinas escolares, em todos os níveis de escolaridade até ao 12º ano e a atribuição de cestas básicas regulares às famílias que se encontram sem rendimento e ainda debater as medidas implementadas até aqui e a possibilidade de se implementar novas estratégias.

Falando ainda de casos até de lojas da periferia do Mindelo que estão a devolver garrafas de gás às petrolíferas, Josina Fortes admitiu ser “urgente” se colocar no lugar dessas pessoas, “que são pessoas, não são números”.

Ainda para o PAICV, neste momento “o social não está a funcionar” e é “muito difícil” ter acesso às ajudas anunciadas pelo Governo, tanto pelos cidadãos, como pelas organizações da sociedade, que “já não conseguem dar vazão a tanta demanda” e que para concorrer a um financiamento têm de ter um projecto, que “também custa”.

Por isso, advogou: “há pessoas a passar fome em São Vicente e se fecharmos o olho e dizermos que não, só estamos a agravar a situação”.

“Não podemos ter um Governo a fechar o olho”, reiterou Josina Fortes, acrescentando que o partido vai levar essas e outras propostas à próxima sessão parlamentar e ao debate com o primeiro-ministro que “deve assumir a situação”.

LN/CP

Fonte: Inforpress