Regionalização: Cardeal Dom Arlindo Furtado pede alguma ponderação aos políticos

O Cardeal Dom Arlindo Furtado diz que a regionalização é uma coisa nova que traz alguma “preocupação” e será bem-vinda se vier a ajudar para “melhor desenvolvimento, maior justiça social e menor dissimetria” entre as regiões do país, mas pede “alguma ponderação”.

Regionalização: Cardeal Dom Arlindo Furtado pede alguma ponderação aos políticos
Em declarações exclusivas à Inforpress, Dom Arlindo Furtado, que faz questão de dizer que fala na qualidade de cidadão, afirma que na sua “pobre opinião” se devia fazer a “promoção da autonomia e também financeira dos municípios”.

“Se há outras formas melhores, os políticos e os economistas poderão dar ideias mais valiosas do que as minhas”, indicou o Cardeal Dom Arlindo Furtado, referindo-se à regionalização que, segundo ele, o país não deve acomodar-se numa “única fórmula” que contribua para o “desenvolvimento do país, equilíbrio social e bem-estar das pessoas”.

Na sua opinião, a regionalização poderia ser feita de “forma progressiva” em determinadas partes do país, ver as experiências que possam contribuir para “corrigir eventuais erros e ganhar novas ideias e novas perspectivas”.

Segundo ele, os políticos cabo-verdianos, “numa democracia representativa”, são pessoas do bem e com alguma experiência e dispõem de técnicos de diversos quadrantes ao nível de Sociologia, Psicologia e Economia que poderão ajudar e fazer com que o “desenvolvimento global e a justiça social se combinem muito bem com a questão da ideia da unidade nacional”.

Defende, por outro lado, alguma ponderação no que tange à regionalização, porque, de acordo com as suas palavras, “fazer de cada ilha uma região pode ser um risco grande”.

“Vejo ilhas muito pequenas com uma grande sobreposição de poderes, autárquicos e regionais”. precisou, perguntando como se pode fazer, numa ilha como a Brava, uma grande distinção “entre o municipal que se preze e o poder regional”.

Para Dom Arlindo Furtado, o mesmo se pode dizer em relação às ilhas como o Maio e São Nicolau.

“São ilhas pequenas e acho que as pessoas andariam a pisar umas por cima de outras”, comentou, por entre sorrisos, acrescentando que “deve haver um espaço para cada instância do poder”.

“Os políticos que fazem isto são pessoas inteligentes, responsáveis, do bem e amigas de Cabo Verde e, por isso, penso que talvez tenham uma saída melhor do que aquela que estou a ver, enquanto leigo na matéria”, sublinhou, adiantando que não consegue entender como que as coisas funcionarão em determinadas partes do território do nacional, caso cada ilha venha a ser uma região.

Fazendo uma comparação, pergunta como que uma ilha como a Brava, com duas paróquias, pode ser uma Diocese, conclui a a fonte referida.

Fonte: Asemana