Praia: Comerciantes fazem “finca-pé” para evitar retirada de produtos – câmara avisa mercado só abre após limpeza

Continua o braço-de-ferro entre os comerciantes e o Município da Praia. É que os ocupantes do mercado do Platô, na Cidade da Praia, negaram, no sábado, 19, retirar os produtos para a limpeza mensal, conforme o regulamento em vigor desde o ano passado e a gestão do mercado mandou fechar o estabelecimento.

Praia: Comerciantes fazem “finca-pé” para evitar retirada de produtos – câmara avisa mercado só abre após limpeza
Hoje, como contaram, ao chegar ao maior mercado da Praia, localizado no centro histórico da cidade, pela manhã, para mais um dia de venda, encontraram, segundo relata a Inforpress, as portas fechadas e “um aparato policial” para as impedir de entrar.

As mesmas admitem que receberam um comunicado da gestão do mercado de que deviam, à semelhança do que vinha acontecendo desde inicio do ano 2018, esvaziar o mercado para a limpeza profunda, contudo alegam que já havia uma outra comunicação anterior da gestora do mercado, Patrícia Freire, que indicava que a partir deste mês de Janeiro a limpeza seria trimestral.

“Nós queremos uma decisão concreta, isto é, se é para sair todos os meses ou de três em três meses, porque isso é uma falta de respeito. Nós queremos essa decisão concreta para saber o que fazer porque temos estado a ter muitos prejuízos com a deslocação das cargas”, contou Maria Fernanda Furtado.

Afirmam que não são contra a limpeza do mercado, até porque a consideram benéfica pois também estão interessadas na saúde pública e na qualidade dos produtos que comercializam.

Contudo, explicaram que a deslocação dos produtos todos os meses tem acarretado “custos avultados”, já que há alguns que têm de se deslocar de um concelho para outro.

Ademais, acrescentam que para além de pagarem pelo transporte para deslocação das cargas ainda quando regressam ao mercado com os mesmos produtos são obrigadas a pagar de novo pelos volumes entrados no mercado.

“Isto é demais porque temos de pagar por cada três volumes 110 escudos, e depois de colocar no balcão para venda tenho de pagar mais 110 e as vendas nem sempre compensam. As vezes passamos mais de uma semana com um saco de batata sem terminar de vender e pagamos a pedra todos os dias”, disse Olinda Mendes.

Por isso, a proposta das vendedeiras é no sentido de as limpezas ocorrerem pelo menos de dois em dois meses, de forma a minimizar os seus custos.

Enquanto não houver uma decisão concreta, pedem que a limpeza seja realizada pelo menos no próximo sábado.

“Nós somos todas mães de família e temos as responsabilidades, as nossas contas para pagar todos meses. Temos custos com o cartão de sanidade e queremos que autoridades também vejam para a nossa situação”, disse.

Gestora do mercado desmente
A proposta, entretanto, foi recusada pela gestão do mercado, Patrícia Freire, que esclareceu que “em nenhum momento” foi aventada a possibilidade da limpeza trimestral

“Eu nunca passei essa informação. O mercado sempre será desenfestado com a limpeza geral mensalmente. Há um regulamento e os calendários são divulgados. Neste mês as vendedeiras tiveram duas possibilidades. No passado sábado, 12, tinham de sair e não saíram, fizemos a sensibilização, foi passada a comunicação e não saíram. Foram-lhes dada uma segunda outra oportunidade – para sábado 19 – como resistiram fechamos o mercado”, disse.

Patrícia Freire explicou que a limpeza tem de ser feita, não só pela vontade da Câmara Municipal da Praia, mas também em resposta à exigência da Delegacia de Saúde e em nome da saúde pública.

“A partir das 14:00 o mercado estará aberto apenas para recolha dos produtos e se as vendedeiras não esvaziarem o marcado para limpeza hoje a noite o mercado vai permanecer fechado” avisou a gestora referida pela Inforpress.

Fonte: Asemana