PAICV vai ao último debate parlamentar da legislatura atribuindo nota negativa ao Governo

Cidade da Praia, 23 Mar (Inforpress) – O PAICV considerou hoje que a governação da IX legislatura minou as bases da confiança, colocou em causa os fundamentos da credibilidade e a verdade eleitoral e ficou marcada pelo incumprimento das principais promessas eleitorais.

As considerações foram feitas pelo presidente do grupo parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV – oposição), Rui Semedo, em conferência de imprensa, sobre as jornadas parlamentares para a última sessão parlamentar desta legislatura, que arranca esta quarta-feira.

O debate que irá abordar o balanço da governação liderada pelo Movimento para a Democracia (MpD – poder), é para o PAICV, de acordo com Rui Semedo, um “momento importante” porque será a ultima sessão e contará com a presença do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

Conforme realçou, o mandato do MpD ficou marcado pelo incumprimento das principais promessas eleitorais, o país foi governado com propostas diferentes apresentadas durante a campanha eleitoral, em 2016 e com sentido de irresponsabilidade.

“A pandemia provocou uma grave crise sanitária económica e social sim, mas a situação de não cumprimento das promessas eleitorais é anterior à pandemia. A meta de crescimento 7% ano não se atingiu mesmo antes da pandemia, a dívida pública continuou a aumentar mesmo antes da pandemia, o desemprego continuou a aumentar mesmo antes da pandemia e um conjunto de outros compromissos”, frisou.

Entretanto, afirmou que o Governo tem utilizado a pandemia da covid-19 para justificar o facto de não ter cumprido as promessas que assumiu com os cabo-verdianos, lembrando que “a situação do país não era positiva, como vinha propalando o executivo, antes da chegada da covid-19”.

Rui Semedo reforçou, referindo que o Governo não criou empregos, pelo contrário, durante essa legislatura, “contribuiu para o aumento do desemprego porque a criação de postos de trabalho diminuiu”.

Quanto à problemática dos transportes aéreos, o MpD, no entender de Rui Semedo, não soube cumprir os compromissos assumidos em 2016, e exortou o primeiro-ministro a “falar a verdade aos cabo-verdianos” sobre o paradeiro dos recursos transferidos à empresa transportadora aérea.

“Ele não fala a verdade com relação aos gastos do Estado, designadamente aos avales assumidos com a empresa transportadora aérea. Ele insiste no montante de 9 milhões de contos, mesmo confrontando com a apresentação de dados e quando se sabe que os montantes dos avales são elevadíssimos”, afirmou, realçando que há dados nos boletins oficiais e na própria conta do Estado que apresentam os avales que “ultrapassam, de longe, o montante que o primeiro-ministro quer vender aos cabo-verdianos”.

Fonte: Inforpress