PAICV questiona se Cabo Verde está a ter uma educação de excelência

Cidade da Praia, 09 Jan (Inforpress) – O PAICV (oposição) disse hoje, no parlamento, que para o País vencer a batalha do desenvolvimento é necessário vencer na educação e questionou se Cabo Verde está a ter uma educação de excelência.

“Territorialmente diminuto, sem recursos naturais e sem mercado, a educação é o caminho mais avisado para o nosso país vencer a pobreza, a marginalização e a dependência económica”, afirmou a porta-voz do grupo parlamentar (GP) do Partido Africano da Independência de Cabo Verde, Carla Carvalho, no debate com o ministro da Educação, Amadeu Oliveira, agendado a pedido da União Cabo-verdiana Democrática e Independente (UCID-oposição).

Para o maior partido da oposição, a educação em Cabo Verde, mesmo antes da independência, tem sido vista como um “recurso emancipatório”.

“Logo após a independência, os sucessivos governos prestaram uma atenção particular ao sector da educação de modo que hoje podemos considerar que ganhamos a batalha da massificação do ensino”, indicou a deputada, acrescentando dados do Instituto Nacional de Estatística (INE – 2019) que apontam que a taxa de alfabetização (15 anos e mais) é de 88,5%, enquanto a de alfabetização na faixa etária de 15 a 24 anos é de 98,8%.

Na perspectiva do partido da “estrela negra”, o Governo de Ulisses Correia e Silva, desde 2016, “está a oferecer uma educação de excelência, que ninguém sabe onde está, porque o sistema de educação padece de males”.

“As medidas de políticas conhecidas não passam de acções paliativas, sem qualquer impacto na reconfiguração estrutural do sector”, admitiu o PAICV.

Considerou que Cabo Verde é “territorialmente diminuto, sem recursos naturais e sem mercado”, pelo que a educação é o “caminho mais avisado” para o País “vencer a pobreza, a marginalização e a dependência económica”.

“Quando o Governo afirma que não deixa ninguém para trás, está literalmente a zombar dos cabo-verdianos”, apontou o maior partido da oposição, lamentando que o executivo de Ulisses Correia e Silva esteja “a deixar o sector da educação para trás, em todos os sentidos”.

No dizer dos tambarinas, os maus resultados do Governo passaram a ser da responsabilidade da covid-19.

“O desequilíbrio económico e financeiro provocado pela covid-19 não foi capaz de combater o luxo da acção governativa e a obesidade do elenco governamental, que saiu de 12 membros para 28, num país com milhares de pessoas na pobreza e uma elevada taxa de jovens sem qualquer actividade profissional ou ocupação”, frisou a porta-voz do GP do PAICV.

No concernente à classe docente, sublinhou que o Governo “não cumpriu com os professores”.

“Os professores foram enganados. Aguardam, desde 2016, o cumprimento do compromisso para a resolução de todas as pendências e a efectiva implementação dos Estatutos da Carreira do Pessoal Docente”, frisou Carla Carvalho, para quem os professores têm ainda de “suportar a afronta do ministro a pedir-lhes que apertem o cinto”.

“Apesar de toda a propaganda da promoção da igualdade de género ainda não há nenhuma luz sobre a resolução do problema do abandono escolar dos rapazes que comprometerá o futuro do País”, concluiu o PAICV.

LC/ZS

Fonte: Inforpress