PAICV pede “maior fiscalização” na gestão do dinheiro público aplicado nas obras municipais

Cidade da Praia, 15 Set (Inforpress) – A presidente do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) pediu hoje “maior fiscalização” do dinheiro público que é aplicado nas obras municipais, além de políticas habitacionais “mais estruturantes”.

Janira Hopffer Almada fez esta intervenção à imprensa, após visitas aos bairros mais afectados pelas chuvas torrenciais que se verificaram no último final de semana.

Conforme apontou, muitas obras foram finalizadas recentemente, com “valores exorbitantes”, mas com as chuvas foram derrubadas pelas cheias, o que leva a questionar os reais montantes das mesmas.

Há necessidade de uma gestão do dinheiro e da coisa pública com mais transparência, maior fiscalização de entidades fiscalizadoras, o Tribunal de Contas, por exemplo, mas sobretudo é necessário o exercício de cargos políticos com mais patriotismo”, apontou.

A líder do maior partido da oposição estranhou também o facto de que, após um dia da queda das chuvas, a Câmara Municipal da Praia e o Governo terem anunciado o cálculo dos estragos no valor de 258 mil contos.

“É claro que não houve tempo para, num dia, fazerem o ponto de situação a todo terreno e contabilizar, naturalmente com seriedade e responsabilidade, todos os danos”, frisou.

Assinalou, que o processo de realojamento das pessoas que ficaram sem casa e sem tecto e em condições de habitação sem dignidade, deve ser feito com “muita ponderação”, sobretudo por não ser conveniente chegar nas próximas chuvas e ter os mesmos problemas.

“As casas sociais, neste caso o Projecto Casa para Todos, ficaram quatro anos de portas fechadas, sem nenhuma razão e teve que acontecer isto, infelizmente, para que tivessem seu destino, pelo qual foram construídos na governação anterior”, ressaltou.

Janira Hopffer Almada considerou que é preciso ter uma política de ordenamento do território e um programa estruturado para a habitação, caso contrário, ajuntou, não se consegue responder às expectativas de pessoas.

A presidente do PAICV prestou ainda condolências à família da criança de seis meses que veio a falecer no bairro do Pensamento, vítima das cheias, assim como todos os cabo-verdianos que perderam muitos dos seus bens e passaram por situações graves.

Fonte: Inforpress