PAICV está a trabalhar num “projecto credível” para “devolver esperança” aos cabo-verdianos – dirigente

Cidade da Praia, 24 Fev (Inforpress) – O presidente da Comissão Política Regional do PAICV em Santiago Sul afirmou hoje que o partido está a trabalhar para apresentar um “projecto credível” e “devolver a esperança aos cabo-verdianos” e que isso passa, necessariamente, por fortalecer o partido.

Carlos Tavares falava à imprensa, à margem da II Assembleia Regional do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV – oposição) em Santiago Sul, que decorreu na Cidade da Praia.

“Se há urgência em resgatar o país das mãos de uma maioria inconsequente, das mãos de um MpD (poder), que busca apenas satisfazer o interesse de poucos, dos privados, e dos familiares, há também alguma urgência em fortalecer o PAICV, do ponto de vista organizativo, do combate político e do ponto de vista comunicativo”, sentenciou.

Segundo Carlos Tavares, a assembleia serviu para que possam debater ideias e apresentar-se para a sociedade “cada vez mais forte e organizado para devolver, a esperança aos cabo-verdianos” e, particularmente, à população de Santiago Sul.

É que conforme o político, a realidade social e económica nessa região “não é boa” e não podem ficar descansados quando há milhares de jovens da região “duramente afectados pelo desemprego”, muitos deles bem qualificados, mas com o futuro adiado com constantes “programas ocupacionais precários”, que não lhes permitem ter” um emprego digno” que lhes deem condições financeiras de pagar “renda, transportes, saúde, a sua educação e mesmo a respectiva alimentação”.

“Não podemos também ficar descansados quando temos milhares de jovens da região que abandonam o ensino superior na universidade pública por falta de meios para pagar a sua propina e, aqui, nós perguntamos onde é que está a universalização do ensino superior, onde é que estão as bolsas prometidas”, questionou, acusando o MpD de “vender sonhos e expectativas de melhores dias e mais bolsas e de mais apoios para ganhar as eleições”.

Conforme lembrou o político, o MpD prometeu “muita coisa” a nível regional e soluções e o que se tem agora “são desculpas”.

Dessas promessas, Carlos Tavares elencou, por exemplo, mais empoderamento das famílias, mais rendimento e emprego quando “há, claramente, o empobrecimento social” e um “retrocesso em várias áreas”, essencialmente a de abastecimento de água, acrescentando que a região “tem sido massacrada” neste quesito.

Para o presidente da CPR do PAICV- Santiago Sul, também a saúde, hoje se transformou mais um “projecto liberal de luxo para poucos”, chegando mesmo a ponto de alguns utentes no hospital Agostinho Neto serem proibidos de sair por não terem recursos para pagar o internamento”.

Para além disso, ajuntou, há pescadores em crise, criadores de gado e agricultores que “não estão devidamente assistidos”, desaparecimento de crianças na região e as autoridades públicas não dão uma resposta “clara e consistente” para tranquilizar as famílias, “baixa qualidade urbanística” em muitas franjas das cidades e “um grande défice habitacional” e em contrapartida “não há uma politica habitacional das câmaras municipais” que seja consistente para “a inclusão verdadeira e de desenvolvimento das localidades”.

Carlos Tavares também insurgiu contra os “condicionamentos no acesso à informação” por parte do Governo e das câmaras municipais e ainda “a direcção da Comunicação Social pública” que, na sua ótica, “tenta diluir e apagar a indignação existente ou contra os poderes públicos e a situação.”

Fonte: Inforpress