PAICV defende “esclarecimentos profundos” às notícias que envolvem Cabo Verde numa “ligação perniciosa” com a extrema-direita

Cidade da Praia, 13 Jan (Inforpress) – O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) disse hoje que as notícias que envolvem Cabo Verde numa “ligação perniciosa” com a extrema-direita minam as bases do modelo de democracia que se pretende consolidar nestas ilhas.

Esta afirmação foi feita pelo líder parlamentar do PAICV (oposição), Rui Semedo, durante a sua intervenção na Sessão Solene da Assembleia Nacional alusiva ao Dia da Liberdade e da Democracia, que se comemora hoje, 13 de Janeiro.

“O facto de, através de uma imprensa estrangeira, terem vindo à tona notícias que envolvem Cabo Verde numa ligação perniciosa com a extrema-direita, que defende e promovem o racismo e a xenofobia, com teias internacionais, minam, de forma grave, as bases do modelo de democracia que se pretende consolidar nestas ilhas”, afirmou.

Para Rui Semedo, este acontecimento é, em si, “tão grave” que “exige esclarecimentos profundos”, para além das demissões que tiverem que acontecer, para garantir o bom nome do País, por um lado, e, por outro, para pôr de pé um sistema que evite que erros desta natureza voltem a ensombrar a imagem e a credibilidade das instituições da República.

Ainda nas suas declarações, este líder parlamentar do PAICV frisou que estar entre os 30 países melhores referenciados em termos da qualidade da sua democracia, num grupo mais amplo de 167 países, é uma classificação que pode ser considerada boa, não obstante, o País já ter atingido antes o lugar 23.º.

“E aí temos que ter a permanente preocupação de não permitir a degradação da nossa classificação, não apenas por causa das estatísticas, mas, fundamentalmente, por causa da qualidade interna da nossa democracia”, acrescentou.

Prosseguindo, disse ainda que qualificação da liberdade e a intensificação da democracia devem ser entendidas como processos em permanente construção e que exigem dos actores políticos “cuidados acrescidos” e uma “sensibilidade apurada” para absorver e incorporar ganhos que impliquem uma maior ingerência dos cidadãos na vida pública.

“Desde logo, devemos analisar até onde o nosso fraco desenvolvimento económico não terá um peso importante na qualidade da nossa democracia quando temos pessoas exposta pela condição de falta de emprego, falta de acesso a rendimentos, precariedade de habitação, limitações ao acesso à saúde e falta de meios essenciais para assumir as suas responsabilidades vitais”, sugeriu.

Rui Semedo disse ainda que as denúncias que têm vindo a público, de “abstenção induzida pela compra de documentos de identificação dos eleitores”, não abonam nada a favor da democracia, nem da classe política.

Ainda no que diz respeito às falhas da democracia cabo-verdiana, Rui Semedo referiu que poderá se identificar a fraca participação da sociedade civil fora dos contextos eleitorais e, se calhar, a falta de criação de condições para uma participação mais regular, mais intensa e mais qualificada das organizações da sociedade e até das comunidades e das pessoas, individualmente.

“Uma democracia forte e consolidada implica uma justiça credível, justa e respeitável que garanta a segurança e a confiança aos cidadãos, por isso é nossa perspectiva que medidas devem ser tomadas para evitar a vulnerabilização, a descredibilização e a desprotecção das Instituições Judiciais e dos seus titulares”, defendeu.

Rui Semedo defendeu ainda que os acontecimentos dos últimos dias são reveladores dos cuidados que devem ser tidos para também proteger o país e manter os índices de confiança e de credibilidade das suas instituições democráticas.

Fonte: Inforpress