Miradouro do Monte Gud: Alcides Graça pede ao Tribunal de Contas para investigar paradeiro dos 11 mil contos destinados à obra

O presidente da Comissão Política Regional do PAICV em São Vicente, Alcides Graça, questionou esta manhã o paradeiro de um montante de pouco mais de 11 milhões de escudos destinado à construção de um miradouro turístico na zona de Monte Gud, em Cruz João Évora. Alcides Graça desafia a autarquia local a explicar que destino foi dado a este dinheiro, uma vez que, segundo este político, não foi “de certeza” empregue na edificação de uma simples parede e uma estrada de terra batida. Graça diz-se ainda preocupado com a estagnação e abandono de esta e outras obras municipais, que contatou durante uma visita do PAICV ao círculo, que decorre desde ontem.

O miradouro, acrescenta Alcides Graça, fez parte de um orçamento rectificativo de 2014, com uma verba de mais de 11 mil contos, destinada para o tal miradouro e uma estrada de acesso. “Aquilo que está aqui representa realmente um investimento de 11 mil contos? Eu acho que o Presidente tem que dizer aos saovicentinos onde é que foram para os mais de 11 milhões de escudos que eram destinados a esse investimento”, desafia. Para Alcides Graça, esta é uma questão que merece a intervenção do Tribunal de Contas, que deve descobrir o destino desse dinheiro público.

Alcides Graça questiona ainda a morosidade com que estão sendo realizadas algumas obras municipais, que, a seu ver, ou estão abandonadas ou estão paradas. Como exemplo aponta a construção da habitação social de Ribeirinha – que diz estar a funcionar apenas com dois trabalhadores – e ainda dos polivalentes de Craquinha e da Ribeira d’Vinha.

Por outro lado, o representante da oposição política em São Vicente questiona a forma como o município tem-se relacionado com outras esferas do poder, designadamente com o governo ou com a cooperação descentralizada, o que tem, segundo ele, colocado São Vicente numa situação de gestão corrente. Isto significa, salienta, que o município não tem folga orçamental para fazer investimentos públicos. “Nós não sabemos em que pé esta a relação da Câmara Municipal com o Governo neste momento, por uma razão simples: o Governo anuncia verbas no âmbito do Fundo do Ambiente do Fundo do Turismo, oito escudos por litro de combustível, mas a verdade é que no terreno não se nota a aplicação destes fundos.” Portanto, segundo Graça, o município tem que saber se esses dinheiros foram desbloqueados a seu favor, pois, se existem, devem ser aplicadas nas obras municipais; se não existem, a autarquia tem de explicar também o motivo.

Neste sentido, Alcides Graça questiona de São Vicente está a ser, uma vez mais, penalizada pelo mau relacionamento entre o Executivo camarário e Governo central, reconhecendo ainda que já foi assim com o Governo do PAICV e está a ser assim agora com o do MpD. “Esta inabilidade tem prejudicado São Vicente claramente, basta ver o estado em que se encontram as obras municipais.”

Quanto às obras do miradouro de Monte Gud, Alcides Graça acredita que estas não terão seguimento, uma vez que a Câmara cedeu um lote de terreno no espaço, onde foi construída uma habitação privada. No lugar desta habitação, segundo Graça, deveria ser construído um restaurante ou outro estabelecimento do tipo que viabilizasse ainda mais o projecto.

Miradouro nada turístico

Várias pessoas têm questionado a razão pela qual esta obra não foi levada adiante, dada a sua importância para a ilha, mormente no ramo turístico. Aliás, numa visita ao local, o MindelInsite chegou a constactar que alguns turistas frequentam o local, devido a sua ampla vista para quase toda a ilha, em particular para a marginal do Mindelo. Entretanto, segundo um guia turístico, a degradação do lugar e a enorme quantidade de lixo na entrada e no trajecto não beneficia em nada a presença de turistas no local.

Para este profissional, seria sem dúvida uma grande obra e uma mais-valia para o turismo em São Vicente. “É pena que a Câmara Municipal não deu continuidade ao projecto. Este lugar é frequentado por muitos turistas, que infelizmente se deparam, logo a entrada com um monte de lixo, principalmente plásticos, e também de fezes à beira do caminho”, comenta esse guia, que tenta distrair a atenção dos turistas para não repararem no cenário que envolve esse monte sobreiro à cidade do Mindelo.

Fonte: Mindelinsite