Heróis nacionais. JHA chama atenção sobre a tentação de apagar a história de Cabo Verde

A líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada disse este domingo, 20 de janeiro, dia dos heróis nacionais, que se tem assistido à tentação de “pagar a história do país e criação de pedestal para colocar algum símbolo a inventar”.

A líder do PAICV que falava no acto central da comemoração do Dia dos Heróis Nacionais, que decorreu na cidade de São Filipe, afirmou que de um tempo para cá tem assistido “à atrevida tentação de pagar a história recente do país, porque os adversários estão crentes que só assim poderão criar um pedestal para colocarem algum símbolo a inventar”.

Segundo a mesma, “abusando e distorcendo a democracia estão procurando relegar os feitos e os símbolos do nosso invejável passado heroico, para um lugar menor e de esquecimento”, acrescentando que o seu partido continua a dar “luta incessante, vibrante e vitoriosa” para que os símbolos e marcos nacionais sejam assinalados.

No dizer da líder do PAICV, o 20 de Janeiro, Dia dos Heróis Nacionais, tem a dignidade para ser celebrado com sessão solene no Parlamento, asseverando que “um país deve sempre valorizar a sua história e que todos os países e povos têm os seus símbolos”, notando que o “Dia dos Heróis Nacionais é o dia dos nossos símbolos e por isso defendemos que deveria ter solenidade que a data, a luta e papel que tiveram merece”.

Esta data deveria ser comemorada com uma sessão especial na Assembleia Nacional, o que não tem acontecido, não obstante o PAICV ter proposto no Parlamento que assim fosse comemorada, realçou Janira Hopffer Almada.

Para a líder do maior partido da oposição no País, o 20 de Janeiro é um dia de muito valor, que simboliza a luta desencadeada pelos protagonistas da história de Cabo Verde e que estiveram na linha da frente da libertação nacional, tendo sublinhando que, se Cabo Verde é hoje um Estado independente e uma nação soberana com um povo que tem o seu país e define o seu futuro, é o resultado de um percurso, de uma luta, de heróis nacionais, muitos dos quais sacrificaram a própria vida para que hoje o país fosse livre e independente.

Segundo Janira Hopffer Almada, valorizando esta data é reconhecer o muito que foi feito, o orgulho que se deve ter na sua história que o seu partido continua a trabalhar, cumprindo um pouco o sonho de Amílcar Cabral em prol deste país.

“Cabo Verde é um país que teve a bênção de ter um grande herói, o fundador da nacionalidade, Amílcar Cabral, mas também heróis vivos como é o caso de Pedro Pires”, disse Janira Hopffer Almada, defendendo a necessidade de poder valorizar os heróis nacionais e aproveitar o legado que deixaram e podem oferecer ainda hoje pela actualidade do seu pensamento.

De entre os legados, apontou, o de patriotismo, de entrega, de empenho e, sobretudo, da luta pela dignidade de um povo, acrescentando que o sonho de Amílcar Cabral foi realizado com a independência, mas que o mesmo pode ser realizado todos os dias com o trabalho em prol do povo e para uma causa colectiva e para a promoção do bem comum para que os cabo-verdianos vivam melhor.

A líder do PAICV discorreu ainda sobre a luta de libertação que culminou com a independência nacional, mas também sobre os heróis, com destaque para a figura maior, Amílcar Cabral, assassinado a 20 de Janeiro de 1973, afirmando que “os inimigos viscerais do partido, conscientes da força inquebrantável do seu pensamento e da sua acção, num acto de desespero decidiram elimina-lo, julgando assim pôr fim à principal causa das pesadas derrotas nos planos militar, diplomático e politico”.

Conforme realçou, o assassinato de Cabral vivificou, empolgou a determinação, exaltou o pensamento e a acção de Amílcar Cabral nos seus companheiros que para prestarem tributo ao seu líder, conduziram a luta e deram corpo ao seu sonho, as independências da Guiné e Cabo Verde.

Durante o acto central, além da intervenção da presidente do PAICV, dois militantes, Manuel António Andrade Gomes e Luís Nunes de Pina, dissertaram sobre a luta de libertação nacional até a independência e o período pós-independência nacional.

Cerca de sete dezenas de militantes do PAICV dos municípios de São Filipe e Santa Catarina com idade superior a 70 anos e que desde a década de 70 do século passado militaram nas fileiras do PAICG/CV, foram homenageados com entrega de diplomas de mérito, tendo os responsáveis locais desse partido garantido que doravante esta prática vai ser institucionalizada e que outros destacados militantes serão homenageados e reconhecidos pelo contributo dado ao desenvolvimento da ilha e do país.

Fonte: Santiagomagazine