Fogo: “Há alguma estagnação resultado da falta de política e de visão da governação actual” – presidente do PAICV

São Filipe, 01 Mar (Inforpress) – A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) disse que “não há sinais” das “grandes obras prometidas” para o Fogo, mas sim “alguma estagnação, resultante da falta de política e visão” do Governo.

Janira Hopffer Almada, que hoje termina uma visita de trabalho para socializar a agenda “Cabo Verde para todos”, disse que as grandes obras prometidas para a ilha não saíram do papel ou seja, não há o aeroporto internacional de médio porte”, nem a segunda fase da estrada circular e o parque tecnológico de agro-pecuário, sublinhando que recebeu durante a visita “muitas queixas” em relação a situação de saúde.

“A ilha do Fogo demonstra a veia empreendedora dos cabo-verdianos, uma perspectiva combativa, mas neste momento a actual governação não está a conseguir interpretar e materializar a ambição à medida da grandeza da ilha”, advogou a líder do PAICV, para quem a ilha precisa de um governo que consiga interpretar e corresponder a ambição que a ilha tem com a perspectiva estratégica para o seu desenvolvimento.

Esta salientou que a ilha tem grandes potencialidades quer a nível da agricultura, pescas, como no turismo com um ex-libris, o vulcão, que não está a ser aproveitado para a promoção do turismo.

Igualmente tem produtos que são específicos da ilha e que são muito apreciados no País e lá fora como o vinho, café e queijo, lembrando que Cabo Verde tem uma diáspora imensa, sendo que boa parte dela é originária da ilha do Fogo.

Janira Hopffer Almada referiu que não é possível potencializar o crescimento do Fogo se não tem sequer o transporte, sublinhando que todos os foguenses sabem que hoje há muito menos voos do que em 2016.

“Não há um serviço eficiente de transportes marítimos e enquanto não houver a assunção do sector dos transportes como sendo fundamental para a estratégia de desenvolvimento, mas também de coesão nacional e territorial não se poderá dar o passo e sonhar com novo patamar”, reforçou a mesma fonte.

Apesar da situação encontrada, a líder do PAICV salientou que há nos olhos das pessoas do Fogo “uma grande esperança num novo rumo” com as eleições do dia 18 de Abril.

Questionada se o seu partido vai recuperar a ilha que perdeu em 2016, Janira Hopffer Almada indicou que confia no seu País e nos cabo-verdianos, que, segundo a mesma, estão atentos e saberão tomar a melhor decisão, fazendo uma avaliação justa do que foi o País nestes cinco anos com actual governação.

Com relação às queixas no sector de saúde apontou o caso de transferência de doentes, problemas de acesso à saúde pelas famílias que passam por sérias dificuldades e sem rendimento para custear certos tratamentos, exames e aquisição de medicamentos.

“A saúde é uma prioridade, não pode ser luxo, é um direito e o Estado tem de definir uma política que garanta o acesso universal à saúde”, afirmou a líder do PAICV, sublinhando que se é certo que o país tem falta de recursos, mas está a utilizar mal os recursos, nomeadamente em despesas supérfluas com a publicidade e assistência técnica, muitas vezes desnecessárias, criação de estruturas que neste momento não são prioritárias.

Segundo a mesma, este Governo tem uma “clara inversão de prioridades”, exemplificando que como é possível que para o plano de vacinação contra a covid-19, orçado em 250 mil contos para três anos, média de pouco mais de 80 mil contos ano, mas só para publicidade gasta 140 mil contos num único ano.

A líder da oposição salientou ainda a existência de uma discriminação negativa às câmaras geridas por autarcas do PAICV, observando que os autarcas do MpD são considerados como sendo “filhos de dentro” e os presidentes das câmaras suportados pelo PAICV de “filhos de fora”, referindo que há sinais mais que evidentes depois de 25 de Outubro.

Apontou como exemplo, além da não envolvência nos actos da inauguração, mas a gestão dos recursos, referindo que a câmara dos Mosteiros tem, desde o ano passado, cerca de 51 mil contos por receber do Governo que não transfere esse montante o que, segundo a mesma demonstra que “todo o discurso proclamado pelo primeiro-ministro não correspondia à verdade como não corresponde à verdade as proclamações que o governo vem fazendo”.

Hoje, antes do seu regresso à Cidade da Praia, Janira Hopffer Almada visitou o mercado municipal e tem encontro programado com os vereadores e eleitos municipais do PAICV, assim como com o presidente da câmara de São Filipe.

Fonte: Inforpress