Fogo: “Governo do MpD falhou e tem falhado com a ilha”, garante deputado da oposição Nuias Silva

São Filipe, 30 Jul (Inforpress) – O deputado do Partido Africano de Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), Nuias Silva, disse hoje que o Governo do MpD falhou e tem falhado “enormemente” com a ilha do Fogo.

Numa conferência de imprensa para analisar o Estado da Nação e da ilha do Fogo, o parlamentar indicou que prova disso é a mais recente visita do primeiro-ministro à ilha para “tchacotar” com a sua gente, através de inaugurações de obras que não dignificam e nem perspectivam a ambição de uma ilha desenvolvida no horizonte 2030.

As obras inauguradas pelo primeiro-ministro estavam quase todas inacabadas, principalmente as da câmara de São Filipe que, segundo o deputado, entraram no “ livro de recordes do ridículo como exemplo de gozação e mangação nacional”.

“O estado da nação da ilha do Fogo não é bom e nenhuma das grandes promessas para a ilha, feitas em 2016, pelo actual Governo, foram cumpridas e sequer iniciadas”, disse, apontando como exemplo a não concretização do aeroporto internacional e nem a iluminação e requalificação do aeródromo, a expansão e remodelação do porto, o reinício e o fecho do anel rodoviário, centro de saúde de raiz para Santa Catarina, que tinha financiamento do Fundo Koweit.

Igualmente, Nuias Silva indicou que não cumpridas a promessa do centro de saúde de São Filipe, do porto de pesca e recreio na Baía do Corvo (Mosteiros), a melhoria de cais de pescas, centro de estágio da FIFA, a universidade e o ensino superior na ilha, a requalificação do centro histórico da cidade, o parque tecnológico e agrícola e o centro de transformação agro-alimentar, o novo assentamento para os deslocados e a construção da adega definitiva, de entre outras promessas por cumprir.

Para o parlamentar do PAICV, já no final do mandato, quer para o poder local como central, as promessas para com a ilha não foram cumpridas e a taxa de realização das grandes obras que poderiam potenciar e alavancar o desenvolvimento é praticamente nula.

“Agora, no momento do balanço, e ao invés de confessarem que nada fizeram e de pedirem desculpas aos foguenses pela confiança neles depositados em 2016, voltam a acenar com novas promessas de campanha”, referiu Nuias Silva, para quem a situação da ilha não é de optimismo e de confiança com este Governo.

No dizer do mesmo, a população da ilha “quer mais e melhor desenvolvimento”, os jovens querem emprego e trabalho digno, aguardando oportunidades para o seu empoderamento, os agricultores e criadores querem uma visão transformadora, os emigrantes anseiam ser incluídos e envolvidos no processo de desenvolvimento.

Por estas e outras razões, o parlamentar eleito pelo círculo eleitoral do Fogo considerou que o Governo do MpD não tem estado a cumprir com a ilha e que os resultados estão à vista de qualquer um.

Este disse que, apesar de a ilha dispor de um potencial enorme em relação ao turismo, durante a visita do primeiro-ministro, este não deixou nenhum incentivo sobre a retoma, como fez em relação a outras ilhas visitadas posteriormente, sublinhando que esta atitude mostra o “descaso” dos governos local e central, para com a ilha e que falta a vontade política para incluir a ilha no todo nacional.

No dizer do mesmo, na ilha há esperanças e visões que despontam no horizonte e que transmitem confiança num futuro melhor, observando que Fogo precisa de infra-estruturas da grandeza que a sua dimensão exige.

Nuias Silva disse que tem lutado neste sentido e que a ilha precisa também do apoio e moral dos governantes, lamentando o facto dos deputados da situação terem afinado por um diapasão contrário aos interesses da ilha do Fogo.

Questionado se não está a exigir muito num curto período de tempo, este indicou disse que as “promessas é que foram muitas”, lembrando que o balanço consiste no cruzamento e confronto das promessas e realizações e que desse exercício se conclui que nada do prometido foi feito.

“A ilha não consegue convergir e unir-se à volta dos grandes interesses, que convocam a todos, independentemente das opções político-partidárias”, referiu Nuias Silva, esclarecendo que quanto à iluminação do aeródromo de São Filipe apenas foi lançado o concurso para recrutamento de uma empresa para realizar os estudos, mas que não foi feito nada ainda e que sequer está no orçamento da ASA para este ano.

Segundo o deputado oposicionista, “agora há desculpas para tudo”, inclusive de que a “não construção da adega definitiva se deve a falta de consenso dos agricultores de Chã das Caldeiras “ sobre a sua localização, recordando que em relação ao assentamento o Governo decidiu, mesmo contra a vontade da população, que manifestou por três vezes contra.

Fonte: Inforpress