Falta de transportes pode condicionar acções de campanhas dos partidos políticos – PAICV

Cidade da Praia, 15 Mar (Inforpress) – O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) denunciou hoje que a indisponibilidade de transportes aéreo e marítimo pode condicionar as acções de campanha para as próximas eleições legislativas de 18 de Abril.

A denúncia foi feita pelo secretário-geral do PAICV, Julião Varela, durante uma conferência de imprensa, onde afirmou que a indisponibilidade de transportes vai impossibilitar que os partidos políticos percorram todos os círculos eleitorais no País e na Diáspora, a fim de apresentarem as listas e os seus programas eleitorais.

Segundo a mesma fonte, em 2016 não houve registo de líderes partidários que não pudessem se deslocar para campanhas eleitorais, nas diversas ilhas, por falta de transporte.

Ainda, sublinhou, no mesmo ano qualquer cidadão poderia viajar para a maior parte das ilhas, indo de manhã e regressando à tarde, mas hoje, em 2020, regista-se um quadro diferente.

“Só há um voo para a ilha do Maio às sexta-feira, só há uma viagem para São Nicolau às quartas-feiras, só há três voos semanais para Boa Vista e se viajar numa segunda-feira, só regressa na sexta, só há quatro voos para o Fogo para onde havia até dois voos diários”, disse, exemplificando que se alguém for ao Fogo numa terça-feira só pode regressar na sexta-feira.

Apontou ainda que não há viagens directas de São Vicente para São Nicolau e vice-versa.

Para o secretário-geral do PAICV, se a situação actual dos transportes continuar assim até às eleições de 18 de Abril, “condiciona a democracia, limita a liberdade de circulação, viola o direito de fazer campanha e provoca desigualdades entre as ilhas em matéria de acesso à informações para uma melhor decisão eleitoral”.

Apesar de todas as diligências que estão a ser tomadas pelo PAICV, Julião Varela disse que “infelizmente não está a ser possível deslocar-se para todas as ilhas”.

“Corre o risco de ir uma ilha e lá ficar e todo o calendário de contacto eleitoral ficar comprometido. Tem sido extremamente difícil fazer reservas e pela ausência dos voos regulares para as ilhas, portanto, não está a ser possível cumprir o calendário”, disse, perspectivando que eventualmente todos os partidos ficarão condicionados.

O PAICV disse esperar que estas limitações, que se desenham para “impedir as deslocações”, não tenham destinatários pré-identificados com o objectivo de “distorcer a verdade eleitoral”.

Conforme denunciou, há dias foi desviado um barco da sua rota para levar o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que é candidato à sua própria sucessão, para a ilha Brava.

“Os outros partidos se calhar não terão esta possibilidade. Neste momento, estamos a ver todo o elenco governamental a deslocar-se e a desfilar pelas ilhas sem nenhuma dificuldade, enquanto nós para fazermos uma reserva, apesar das precauções tomadas tempestivamente, tem havido muitas dificuldades em conseguir lugares nos voos para mais de uma pessoa”, denunciou.

Neste sentido, o PAICV pede o aumento de frequências de voos para uma maior possibilidade de circulação não só dos cidadãos, como dos candidatos.

“Neste momento se o Governo quiser fazer aumentar as frequências fará, porque, por exemplo, em relação aos transportes marítimos todos os prejuízos que as empresas incorrerem durante a exploração é coberta pela indemnização compensatória”, disse, sublinhando que é a mesma coisa para os transportes aéreos.

Caso não seja resolvida esta situação, Julião Varela disse que a abstenção é que irá “ganhar”, pois os eleitores não ficarão suficientemente esclarecidos sobre as propostas.

A campanha eleitoral arranca no dia 01 de Abril e vai até o dia 16.

Fonte: Inforpress