Brava: Pescadores clamam por mais apoios e melhor atenção das entidades responsáveis

Nova Sintra, 05 Fev (Inforpress) – Os pescadores da ilha Brava clamam por mais apoios e melhor atenção das entidades responsáveis, devido às dificuldades enfrentadas no dia-a-dia à procura do sustento.

Por ocasião do Dia Nacional do Pescador, comemorado nesta terça-feira, a Inforpress percorreu algumas aldeias piscatórias da ilha, para se inteirar das possíveis actividades que serão realizadas e como anda a vida no mar.

Em todas as aldeias visitadas, os pescadores afirmaram que quase nunca celebraram este dia, excepto no ano passado, que veio um grupo da ilha do Fogo e juntos celebraram o dia, mas, muitos deles, com vários anos de faina, declararam que até o ano passado desconheciam se havia dedicado ao pescador.

Francisco Veiga, pescador da zona de Furna, disse ter 51 anos a trabalhar e viver do mar, mas a vida no mar está cada vez mais “difícil”, porque agora quase já não há peixe e existem épocas que a falta de peixe é maior.

Para além da falta de peixe, ele queixou-se também das más condições do mar e a falta de materiais e botes adequados para a faina.

“Nós sobrevivemos. Se hoje ganhámos mil escudos, não comemos de uma vez só, guardamos alguma parte para amanhã, porque viver do mar é uma vivência instável”, declarou o pescador.

Segundo este pescador, na ilha nada se resolve nesta área, porque a classe “não se une” para nada, nem para criar uma associação, quanto mais para realizar actividades de diversão.

São por este e outros motivos que os pescadores dizem quase nunca comemorarem o Dia Nacional dos Pescadores, porque, além de não ter quem organizar, o Governo não os apoia em quase nada.

Alfredo da Cruz, também é pescador, mas da localidade de Tantum e comunga da mesma opinião dos pescadores da localidade de Furna, apontando a falta de união e de apoios do Governo como condicionantes para que a qualidade de vida dos pescadores tenha mais garantia e estabilidade.

As únicas associações que funcionam em algumas localidades da ilha e que tentam defender também os interesses dos pescadores, são as associações de desenvolvimento local, mas como nem todas as localidades têm associações funcionais e por não serem especialmente direccionadas à pesca, segundo Alfredo Cruz, nem sempre as questões piscatórias são dadas as devidas atenções.

A classe lamenta não ter a oportunidade de comemorar este dia como todos os pescadores das outras ilhas, que independentemente das associações, possuem o apoio e reconhecimento das câmaras municipais ou das outras entidades descentralizadas do Governo em cada município.

Fonte: Inforpress