Brava: MSSS acciona auditoria técnica para apurar os factos referentes à morte da parturiente, população ameaça com manifestação de protestos

O Ministério da Saúde e da Segurança Social (MSSS) anunciou hoje,05, ter accionada uma auditoria técnica para apurar os factos relacionados com a morte da parturiente Mónica Santiago, de 27 anos, durante o processo de evacuação para a ilha do Fogo, na noite de sábado. Em torno do acontecido, a população da ilha encontra-se revoltada, tendo já marcada duas manifestações para o próximo sábado, no sentido de “chamar a atenção do Governo e as demais autoridades do país, para que estes analisem a situação que a ilha está enfrentando”, sobretudo a nível de transportes inter-ilhas.

Brava: MSSS acciona auditoria técnica para apurar os factos referentes à morte da parturiente, população ameaça com manifestação de protestos
Diante de tudo isto, o Ministério da Saúde e da Segurança Social (MSSS) anunciou hoje,05, ter accionada uma auditoria técnica para apurar os factos relacionados com a morte da parturiente Mónica Santiago.

Esta informação, segundo a Inforpress, foi avançada num comunicado de imprensa enviada às redacções, onde o MSSS refere os resultados conseguidos pelo país, a nível da redução da mortalidade materna e infantil, mas consciente de que ainda “há um caminho a ser percorrido e batalhas a serem vencidas, para dotar todas as estruturas de saúde, nas ilhas, de capacidade necessária e autonomia técnica, para responder eficazmente e com qualidade às situações que, a cada momento, acontecem”, lê-se no comunicado.

Em declarações à Inforpress, a irmã da vítima Edília Gonçalves, que acompanhou a parturiente até os últimos instantes, contou que não se sabe o que levou ao falecimento da sua irmã, uma vez que desde a chegada da paciente ao hospital, os enfermeiros que atenderam a Mónica, sempre que a avaliavam, ao saírem, diziam que a mesma e o seu bebe “estavam bem”.

Recordou ainda que a irmã já tinha tido uma filha na Brava, de parto normal, e a criança está prestes a completar três anos.

Sobre o episódio trágico para os familiares, adiantou a que a sua irmã teve uma “gravidez normal”, vivendo ainda no início na ilha do Sal, mas que antes de completar os sete meses, ela tinha regressado para ilha Brava, onde terminou o processo de planeamento e controlo.

Família indignada e reação da Delegacia
O que a deixou mais indignada, confessou, é que “durante todo este tempo no hospital, ninguém dissera que ela tinha algo grave, e que, para espanto, depois das 20 horas, veio a ser informada que a irmã seria evacuada, mas, entretanto, não foram avançados os detalhes da evacuação.

Edília Gonçalves denunciou que sequer foi disponibilizada uma ambulância para transportar a irmã, porque, segundo informações que lhe foram avançadas, o transporte estava com avaria.

Daí, a vítima foi transportada para a zona de Furna num hiace, prontamente disponibilizado por um minimercado e que no trajecto Brava/Fogo as condições também não foram as melhores

A irmã da vítima garantiu à Inforpress que após “este choque” vai procurar os serviços da delegacia de Saúde para se inteirar dos meandros da questão.

Contactado, o delegado de saúde da ilha Brava, Carlos Dias, também emitiu um comunicado, lamentando o facto ocorrido e salientou que a sua equipa fez o “possível para salvar a malograda e o bebé, como tem sido o hábito”.

No documento, a estrutura local de Saúde confirmou que a vítima não tinha antecedentes obstétricos e que não tinha uma gravidez de risco.

Explicou também que durante o parto “teve uma paragem de progressão fetal, o que implicava uma cesariana, mas recordou que na ilha não existe um cirurgião, não tinha como prosseguir com o processo, daí a solução de a evacuar”.

“Devido às péssimas condições climatéricas, foi difícil para o barco que a transportou conseguir atracar em São Filipe, e após várias tentativas conseguiu, mas, infelizmente, o desfecho foi fatal”, concluiu o delegado.

Por seu turno, o Delegado Marítimo da ilha Brava, Victor Mendes, explicou que neste dia, às 21h:45min, o navio KRIOLA saiu do Porto da Furna com destino ao Porto da Praia, devido ao estado de tempo.

Entretanto, às 22h:00min, prosseguiu, o navio foi mudado de rumo, para porto de Vale dos Cavaleiros, devido as constatações da enfermeira, onde o mesmo chegou logo às 22h:20min e às 22h:25min já tinha sido atracado, sob fortes condições de ondulações.

A mesma fonte adiantou a vítima foi declarada óbito a bordo e o navio às 22h:34min saiu do porto Vale dos Cavaleiros, com destino a ilha Brava, atracando no porto da Furna ilha Brava as 23h:12min, segundo os dados constantes do diário de navegação do Navio Motor KRIOLA.

Em torno do acontecido, a população da ilha encontra-se revoltada, tendo já marcada duas manifestações para o próximo sábado, no sentido de “chamar a atenção do Governo e as demais autoridades do país, para que estes analisem a situação que a ilha está enfrentando”, sobretudo a nível de transportes inter-ilhas.

Fonte: Asemana