Voos internacionais, CVA e Governo. O país dos equívocos!

Cabo Verde é o país dos equívocos. Aqui as instituições dizem coisas que não fazem, fazem coisas que não dizem e nem dizem coisas que devem dizer e fazer e que naturalmente resultam dos seus estatutos e conteúdos funcionais definidos por lei.

Os exemplos do que acima fica escrito abundam por este pequeno país arquipelágico, situado na costa ocidental do continente africano, banhado pelo oceano atlântico, mas nesta oportunidade a presente crónica vai falar apenas dos voos internacionais e das enganações que envolvem a CVA, o governo e Cabo Verde.

A pandemia do novo coronavírus continua em crescendo no mundo, e em Cabo Verde também.

Desde março que o país está praticamente sem contacto com o exterior. Em agosto, abriu-se um pouco, mas apenas para os chamados voos essenciais.

Porém, esta sexta-feira, 9 de outubro, o governo, pela boca do ministro dos Transportes e Turismo, Carlos Santos, anunciou a retoma dos voos internacionais de e para Cabo Verde, a partir de segunda-feira, 12, mediante testes de covid-19.

O governo pensa assim reanimar o mercado turístico para relançar um setor que, segundo dados oficiais, responde por 25% do PIB nacional.

Ora, os casos de infeção do novo coronavírus no país estão crescendo todos os dias, bem como os óbitos.

À hora da edição deste texto, os dados do ministério da Saúde davam conta que o país regista 6.717 positivos acumulados e 71 óbitos.

Porém, isto é o de menos.

O governo anuncia a reabertura de voos internacionais numa altura em que o país não tem um único avião e a companhia de bandeira – a CVA – está há 4 meses sem pagar salários aos seus trabalhadores.

Ou seja, em termos práticos, pode-se dizer que o país já não tem uma companhia de aviação para voos internacionais.

É certo que o país não precisa de uma companhia nacional em funcionamento para reabrir voos internacionais.

É verdade! Mas também é verdade que antes de anunciar a reabertura dos voos internacionais, o governo tinha por obrigação legal e ética anunciar ao país o destino dos 3 aviões, que alegadamente se encontram nos EUA em serviço de manutenção, bem como os resultados dos créditos contraídos pelos Islandeses, hoje detentores de 51% da CVA, com o aval do Estado, entre outros assuntos protegidos pelas clausulas de confidencialidade de uma parceria que, ao que tudo indica, terá entrado em estado de paralisia.

É que o governo deve estes e outros esclarecimentos sobre o dossier em pauta à nação.

Porque em regimes ditos democráticos as coisas funcionam assim. Ademais, porque foi o governo, pela boca do ministro dos Transportes e Turismo, quem havia prometido ao país que os aviões foram parar aos EUA para manutenção e que estariam de regresso ao país com a reabertura dos voos internacionais.

E foi também o governo, aqui pela boca do vice-primeiro ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, quem havia assumido perante a nação que, muito embora houvesse algum mal-estar com os Islandeses, a nação devia, entretanto, manter-se sereno, porque o executivo iria trabalhar outros cenários e outras parcerias por forma a salvar os transportes internacionais, enquanto suporte fundamental ao processo de desenvolvimento do país.

Ora, os órgãos do poder do Estado não podem esconder informações essenciais, mentir ao país, ou provocar hiatos para alimentar especulações. Os órgãos do poder do Estado devem ser o primeiro a dar o exemplo de transparência e da verdade na condução dos destinos da nação.

E neste particular, cabe ao governo explicar ao país o que é feito dos aviões da companhia CVA? O que é feito da gestão desta empresa que já nem salários consegue pagar? O que é feito da parceria com os islandeses? Onde foram parar os empréstimos contraídos pelos Islandeses com o aval do Estado de Cabo Verde? Na ausência de respostas a essas questões, seguramente que a nação cabo-verdiana não estará serena, por mais discurso que se faça!

Fonte:  Santiagomagazine