Situação explosiva com seca no Porto Novo: Criadores de gado “aflitos” continuam a vender “ao desbarato” seus animais

O Conselho do Porto Novo de Santo Antão está a viver uma situação explosiva, que requer a intervenção urgente por parte do Governo da República. É que os dois anos de seca consecutivos por que passa esse município têm levado ao “desespero” muitos criadores de gado, sobretudo do Planalto Norte, que continuam a venderem, “ao desbarato”, os seus animais.

O SOS está novamente lançado com os criadores de gado, citados pelo Inforpress, a alertarem que, perante a falta de pasto e as dificuldades na aquisição de ração, não têm “outra alternativa” senão desfazer dos animais “a qualquer preço”. Exemplificam haver casos em que cabras foram vendidas por 650 escudos a cada cabeça.

“Nessa altura, o preço mais vantajoso que se pode obter por uma cabra fica entre mil e 1.200 escudos, mas já houve criadores que foram obrigados a vender os seus animais a 650 escudos/cada”, confirmou um representante de uma das associações comunitárias existentes no Planalto Norte do Porto Novo, uma das zonas mais atingidas pela seca que assola este concelho mais extenso de Santo Antão.

Diante desta situação difícil, os criadores do Planalto Norte têm estado a pedir “urgência” no auxílio à classe, “antes que seja tarde”, alertando para a situação de “desespero” em que se encontra a maioria das famílias dessa localidade, onde a pecuária é a única actividade económica.

Segundo ainda a Infpress, também, no Planalto Leste, a situação da pecuária é considerada “alarmante” pelos criadores. No início desta semana, o presidente da associação comunitária “Luz Viva” de Lagoa do Planalto Leste, Manuel Pinto, alertou para a “situação difícil” por que passam os criadores dessa localidade, devido à seca que, nos últimos dois anos, tem assolado as populações.

“A situação da pecuária em Lagoa é deveras alarmante. Há criadores em situação muito difícil sem formas de adquirir ração para o gado”, avançou o líder associativo, que aproveita para exortar o Governo e os municípios de Santo Antão a darem “mais atenção” aos criadores afectados pela seca.

Ausência de medidas e situação explosiva no campo

Entretanto, o presidente da câmara do Porto Novo, Aníbal Fonseca, já tinha alertado, em Novembro de 2018, para “as dificuldades acrescidas” que mais este ano de seca traz para mais de 500 famílias neste concelho, que vivem, basicamente, da pecuária.

O Governo anunciou, porém, um novo plano emergência para mitigar os efeitos da seca em algumas ilhas do arquipélago, como é o caso de Santo Antão, cujas acções previstas rondam, segundo a fonte deste jornal, os 600 mil contos.

Enquanto se espera pela implementação desta medida governamental que continua só no papel e nos discursos, a situação é explosiva nos meios rurais. É que animais estão a morrer por falta de pastos e pessoas a se queixarem de dificuldades e até da fome, por carência de rendimentos, agravada com a redução drástica da agricultura por escassez da água. Enfim, como desabafam alguns criadores, «esses pobres coitados esperam pela prometida solução do Governo de Ulisses Correia e Silva que tarda chegar».

Fonte: Asemana