Sindicato acusa Governo de manipular dados e de perturbar manifestação

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Financeiras (STIF), Aníbal Borges, acusou esta terça-feira, 7, o Governo de manipular a opinião pública com dados do desemprego e de perturbar uma manifestação marcada para 13 de janeiro.

A manifestação para a próxima segunda-feira foi anunciada em Dezembro, mas depois disso, o presidente do STIF disse que “começou a haver movimentações, sobretudo por parte do Governo, mas também de outras instituições, no sentido de manipular e enganar a opinião pública e os trabalhadores, bem como de perturbar” a organização do protesto.

Em conferência de imprensa, Aníbal Borges justificou a posição com a “publicidade” feita nos últimos dias por parte do Governo dos dados da diminuição da taxa de desemprego para 10,7%, anunciados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE). “Os atores políticos já questionaram da veracidade e dos fundamentos desses dados. Do nosso ponto de vista, tudo isto enquadra-se numa estratégia de tentar ofuscar a manifestação, particularmente a participação da juventude”, esclareceu o sindicalista.

O presidente do STIF disse que respeita os dados estatísticos, mas questionou o facto de não terem sido apresentados os fundamentos dos indicadores e nem se conhecer onde foram criados os postos de trabalho, sublinhando que, ainda assim, a taxa de desemprego continua elevada no país.

O protesto a nível nacional foi convocado por 13 sindicatos das ilhas de Santiago, São Vicente, Sal, Santo Antão, Maio, Boavista e São Nicolau, para chamarem a atenção para a situação sócio-laboral que se vive no país neste momento.

Os sindicatos reivindicam o cumprimento dos compromissos assumidos com os trabalhadores, e que constam do Programa do Governo, nomeadamente a reposição imediata do poder de compra e a diminuição do Imposto Único sobre o Rendimento (IUR) em 1% anual.

Também reclamam a diminuição do desemprego, sobretudo do desemprego jovem, a reposição dos direitos retirados aos segurados, a diminuição da idade da reforma dos trabalhadores marítimos para 60 anos, a instalação urgente do Juízo do Trabalho em São Vicente e reforço e implementação da Inspeção Geral do Trabalho e da Direção Geral do Trabalho (DGT) em Santo Antão, Boavista e Fogo.

Destas 13 organizações sindicais, apenas o Sindicato Nacional dos Professores (SINDEP) não é filiado na União Nacional dos Trabalhadores Cabo-verdianos – Central Sindical (UNTC-CS), que também marcou uma manifestação, mas para sábado, 11 de janeiro, na ilha de Santiago.

Para o presidente do STIF, trata-se de uma “fuga em frente” e de um “sinal de desespero” por parte da maior central sindical do país, salientando que a UNTC-CS “se sentiu ultrapassada e desautorizada” pela esmagadora maioria dos sindicatos nela filiados. “Esse anúncio não passa de uma vã tentativa de querer lançar a confusão no seio dos trabalhadores, com vista a servir outros interesses que não os dos trabalhadores”, acusou Aníbal Borges.

A manifestação do STIF será realizada a 13 de janeiro, feriado nacional, dada em que, pela primeira vez, em 1991, os cabo-verdianos exerceram o seu direito de voto nas primeiras eleições multipartidárias, após 16 anos em regime de partido único.

O sindicalista reconheceu que poderá haver “algum relaxamento” por parte dos trabalhadores, por o protesto ser num feriado nacional e após um fim de semana, com outras atividades a decorrem e também porque as mobilizações de rua no país não tê, habitualmente, grandes adesões. Ainda assim, considerou ser importante protestar num “dia marcante” como o 13 de janeiro, esperando, na ilha de Santiago, pelo menos a adesão de mais de cinco mil trabalhadores.

Na Praia, a concentração será às 09h00, na Fazenda, com os manifestantes a percorrerem algumas ruas, passando em frente ao Palácio do Governo, e terminam em frente ao palácio da Assembleia Nacional, em Achada de Santo António, onde vai estar a decorrer a sessão solene comemorativa do Dia da Liberdade e da Democracia.

Fonte: Santiagomagazine