Se actividades ligadas à economia marítima fossem aproveitadas traduziriam em milhares de empregos, líder do PAICV

Cidade da Praia, 22 Jul (Inforpress) – A presidente do PAICV afirmou hoje que se todas as actividades ligadas à economia marítima fossem aproveitadas poderiam traduzir em milhares de empregos e rendimentos para os cabo-verdianos, visto que grande parte do comércio é feito por via marítima.

A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), Janira Hopffer Almada fez essa leitura quando falava à imprensa, momentos depois de encontrar-se com os membros do conselho de administração da Cabo Verde Fast Ferry, no âmbito da preparação do debate do Estado na Nação, previsto para 31 deste mês.

A líder do PAICV, que considera que Cabo Verde tem muita potencialidade, entende ainda que a economia marítima tem um “mar de oportunidades” que devem ser aproveitadas uma vez que se trata de um factor essencial na promoção do desenvolvimento económico do país.

“A economia marítima é um factor essencial na promoção do desenvolvimento económico do país, mas nada disso terá sentido se não houver um sistema de transporte entre as ilhas que garante essa interligação e mobilidade”, realçou, sublinhando por outro lado, que a economia marítima é também o factor de coesão territorial.

Conforme a presidente do PAICV, o partido que lidera defende que é preciso um sistema de transporte entre ilhas com regularidade, previsibilidade, segurança, mas também a custos reduzidos para dar confiança e possibilidade aos utentes e operadores económicos.

“Defendemos um quadro regulatório claro para o sector e descordamos do facto de se ter extinto a Agência Marítima Portuário, o que consideramos um recuo, para a transformar no Instituto Marítimo Portuária”, salientou.

Segundo Janira Hopffer Almada, a questão essencial de tudo isso prende-se com o negócio feito e promovido pelo Governo de Cabo Verde com total intransparência no que tange aos transportes marítimos internos.

O governo, realçou, conseguiu com esta intransparência fazer uma concessão para uma empresa estrangeira, num negócio absolutamente obscuro, num concurso que excluiu os armadores nacionais por alegar não terem capacidade de resposta no transporte entre ilhas.

A equipa que venceu o concurso, ajuntou, vai agora alugar os barcos do Fasty Ferry (Liberdade, Praia D’águada e Crioula).

Dos cinco barcos prometidos, três são os que já cá estavam e que são de operadores nacionais, disse.

Por este motivo, a presidente do PAICV interpelou ao Governo sobre o que este quer fazer com este país? Sobre como é possível se descriminar operadores e armadores nacionais, com a alegação de que não possuíam capacidade de resposta para que sejam estes a alugar seus barcos para garantir viajem para a empresa que ganhou concurso?

O primeiro-ministro, enfatizou, tinha anunciado a chegada de um navio novo para Julho e, acrescentou, o mês já vai a 22 e nada.

“Um país deve ser governado com responsabilidade e seriedade, mas colocando sempre os interesses do povo cabo-verdiano, em primeiro lugar. Infelizmente o governo do MpD não tem dado mostra disso”, acrescentou.

Ainda de acordo com Janira Hopffer Almada, o Governo que criou uma empresa que é concedente e que disse aos cabo-verdianos que iriam ver resolvidos os problemas de transporte marítimo, esqueceu-se que uma empresa com capital social de 50 mil contos, não dava para renovar frotas.

“Que renovação e frotas se faz numa empresa com capital social de 50 mil contos? Isto sim, é tentar ludibriar os cabo-verdianos”, afirmou.

Questionada sobre o CPI a decorrer sobre o tema, adiantou que dai saíram muitas verdades, o que, no seu entender, demostrou que o PAICV esteve bem quando propôs a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre este concurso no parlamento.

Demostra também as razões que levaram o MpD a inviabilizar a CPI sobre a Binter, no ano passado, provavelmente com medo de que muitas verdades viessem à tona como no caso dos transportes marítimos, afiançou.

As verdades que têm vindo à tona com a governação actual, segundo a presidente do PAICV, têm prejudicado muito o país.

“É caso para dizer que é preciso que os cabo-verdianos pensem muito seriamente porque se essa maioria continuar a governar, por muito mais tempo, dificilmente teremos o país que queremos para atingir o desenvolvimento que pretendemos, mas sobretudo para dar aos cabo-verdianos a vida que merecem”, concluiu.

Fonte: Inforpress