São Vicente: PAICV estranha “gasto do Estado de 400 contos/dia” com navio certificado apenas para uma rota

Mindelo, 05 Jun (Inforpress) – O deputado do PAICV (oposição) João do Carmo Brito denunciou hoje que o Estado gasta 400 contos/dia com o navio Chiquinho BL, certificado “somente para viajar entre as ilhas de São Vicente e Santo Antão”.

No final de mais uma visita ao círculo eleitoral de São Vicente, “mais contactos do que visita”, conforme o deputado, devido à situação da pandemia da covid-19, os deputados do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) regressaram ao tema sector do transporte marítimo, sobretudo à segurança do transporte de passageiros e de cargas.

“Estranhamos como é possível o Estado pagar 400 contos/dia para um navio que estranhamente é certificado somente para viajar entre São Vicente e Santo Antão”, reforçou o deputado, considerando que caso houver uma necessidade de urgência de o barco ir até São Nicolau, por exemplo, “não pode porque não é certificado para mais nenhuma ilha”.

As “preocupações” do PAICV para com a segurança do navio Chquinho BL, que faz a carreira regular São Vicente/Santo Antão/São Vicente, prende-se ainda, conforme João do Carmo, com o facto de o navio operar com a rampa de proa e não ter uma porta estanque de segurança depois da rampa de proa.

“Em caso de qualquer problema com a rampa de proa, não havendo a porta estanque de segurança podemos ter problemas sérios de segurança do navio, e aproveitamos para chamar a atenção das autoridades marítimas para dar importância a esta questão”, reforçou a mesma fonte.

É que, de acordo com a Convenção Solas, citada pelo parlamentar, a partir de 1994, com um acidente que aconteceu na Estónia, por dificuldade numa rampa de proa de um navio, e com a morte de mais de 800 pessoas, a recomendação internacional passou a apontar no sentido de a rampa de proa ter que ser estancada ou se estiver a funcionar o navio ter uma porta estanque de segurança.

“E, um outro pormenor, é que todos os demais navios roll-on roll-off que operam em Cabo Verde e que têm a rampa de proa, ela é estancada, pois funcionam com a rampa de popa”, assegurou o deputado.

Isso sem contar, apontou a mesma fonte, com a problemática da parte lateral do navio que é aberta e alvo de reclamação frequente dos operadores e utentes do navio e nele transportam viaturas e cargas.

O PAICV pediu também esclarecimentos às autoridades “se há ou não exclusividade do mercado dos transportes marítimos inter-ilhas”, já que, segundo João do Carmo Brito, a linha São Vicente/Santo Antão sempre foi servida por pelo menos dois navios.

Disse ainda “não entender” porque é que o navio Mar d’Canal, “com todas as condições para fazer a linha”, não está a funcionar, pois assegurou há interesse do proprietário do navio em retomar a linha.

“Tenho indicações de que as divergências entre os sócios da companhia proprietária do Mar d’Canal estão já sanadas,”, conclui João do Carmo Brito.

Fonte: Inforpress