São Vicente: PAICV alerta para o facto de a ilha poder perder deputados devido à fraca adesão ao recenseamento eleitoral

Mindelo, 27 Mai (Inforpress) – O presidente da Comissão Política Regional do PAICV em São Vicente chamou hoje atenção para o facto de a ilha poder perder deputados se o processo de recenseamento eleitoral continuar com a fraca adesão de potenciais eleitores.

Alcides Graça liderou uma delegação da Comissão Política Regional do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) que visitou na manhã de hoje a Comissão de Recenseamento Eleitoral (CRE) e, à saída, aos jornalistas, manifestou preocupação com o processo.

É que, segundo a mesma fonte, numa média de recenseados/ano estimado em 1.300 pessoas, a CRE neste momento tem recenseados apenas 130 novos eleitores, o que quer dizer, continuou, que de 2016 até esta parte foram recenseadas cerca de 600 pessoas, o que é “muito preocupante”, pois o horizonte é de potenciais 5.000 recenseados.

“Estamos preocupados porque São Vicente pode inclusive perder deputados se o processo continuar neste ritmo, e já não há muito tempo porque o processo de recenseamento vai até 65 dias antes das eleições”, concretizou, ou seja, apontou, cerca de dois meses para recuperar mais de 5.000 potenciais recenseados é um objectivo “muito difícil” de alcançar.

“Uma vez que os deputados são atribuídos aos círculos eleitorais em função do recenseamento, se o número de eleitores reduzir a ilha pode perder deputados em função do aumento de recenseados em outros círculos eleitorais”, reforçou a mesma fonte.

Alcides Graça lembrou que já é tradicional nos anos não eleitorais a fraca afluência à CRE para recenseamento, que normalmente tem mais movimento nos anos eleitorais, como o ano em curso.

Dados revelados pelo responsável do PAICV indicam que em 2017 foram recenseadas 163 pessoas, em 2018 (108), em 2019 (199) e em 2020, até o mês de Fevereiro, estão recenseadas 123 pessoas, o que quer dizer, considerou, que este ano se não houvesse a pandemia de covid-19, sendo ano eleitoral, poderia haver aquele ‘boom’ de recenseamento.

Mas, prosseguiu, o processo está “altamente prejudicado” pela covid-19, pois até ao momento estão recenseados 10 por cento (%) do potencial de recenseamento para este ano.

Aproveitou para pedir a todos os partidos para alinharem na sensibilização dos jovens para o recenseamento, mas pontuou que as restrições por causa da covid-19 são uma preocupação e que o seu partido tem esse dever de ajudar a CRE e vai colaborar neste processo de recenseamento.

O presidente da Comissão de Recenseamento Eleitoral de São Vicente, Humberto Mota, abordado pela imprensa, corroborou os números lançados por Alcides Graça e sublinhou que o ponto de situação neste momento é que desde as eleições de 2016 houve “um número muito baixo” de inscrições, tendo em conta o potencial de eleitores em São Vicente, o que “preocupa” a CRE.

“Isso nos leva a pensar que o recenseamento vai ficar muito aquém da expectativa para este ano, mas não é por falta de informação, as pessoas pura e simplesmente não aderem ao processo de recenseamento”, reforçou.

Mota disse ainda que a CRE aguarda o fim das medidas de restrição para adoptar novas estratégias de recenseamento, pois o processo tem que terminar 65 dias antes da data das eleições autárquicas.

Confirmou que São Vicente pode perder deputados porque o método eleitoral vai de acordo com o número de eleitores e se perder para outros círculos em número de recenseados, pode perder deputados.

“Em 2016 houve esse risco, mas devido a uma grande mobilização conseguimos superar e manter os deputados”, lembrou.

Neste momento a ilha de São Vicente conta com o total de 50.400 eleitores recenseados.

Fonte: Inforpress