São Vicente: Líder do PAICV critica falta de planificação do Governo “até para simples renovação de um acordo”

Mindelo, 14 Jan (Inforpress) – A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Janira Hopffer Almada, criticou hoje, no Mindelo, a falta de planificação e de estratégia do Governo “até para simples renovação de um acordo”.

A líder partidária fez estas considerações à imprensa, na sequência de um encontro com a direcção da empresa de transformação pesqueira, Frescomar, e que teve sobre a mesa o atraso na renovação do Acordo de Derrogação das Normas de Origens entre Cabo Verde e a União Europeia.

Janira Hopffer Almada disse sair da reunião com uma “grande preocupação” por constatar que o actual Governo “não tem uma planificação, não tem estratégia e, sobretudo, não está preocupado com a situação de vida com os cabo-verdianos”.

A Frescomar, ajuntou, garante cerca de 1.700 postos e está na eminência de fazer o despedimento de centenas de trabalhadores devido a não renovação do contrato derrogação.

“É evidente, que não podemos estar todos os anos ou de dois em dois anos nessa situação e todas as vezes o Governo não actua em tempo para que se crie estabilidade no seio destes trabalhadores e na própria administração da empresa”, considerou a mesma fonte, para quem o Governo não pode continuar a trabalhar “sobre os joelhos”.

“Sempre a correr, depois das coisas acontecerem, o Governo tem de trabalhar com uma planificação”, defendeu Janira Hopffer Almada, adiantando que o facto de ser ter trazido o Ministério de Economia Marítima para São Vicente “até este momento não se traduziu em nenhum ganho para ilha”.

E as provas, asseverou, estão nessa “simples derrogação”, que até agora não se conseguiu fazer, mesmo que empresa tenha feito o pedido desde Março de 2020 e nos investimentos recebidos nestes anos de mandato do Movimento para Democracia (MpD).

“Não é aceitável não é razoável, que o Governo, conhecendo os prazos, de todas as vezes deixa o prazo passar, porque algo não está bem”, considerou a mesma fonte, acrescentando que o Governo precisa definir prioridades.

A líder do PAICV assegurou ainda que o partido, como “oposição construtiva”, está a “analisar profundamente” o acordo de pesca com a União Europeia.

“Entendemos sim, que é possível trabalhar-se para melhorar o acordo de pesca, que existe, desde logo para alguma revisão das contrapartidas para Cabo Verde”, reiterou Janira Hopffer Almada, para quem “há lições que têm de ser tiradas com o tempo e ambições e expectativas que mudam”.

Quanto à direcção da Frescomar, o director comercial, Miguel Pinto assegurou à Inforpress a necessidade do problema ser resolvido “o mais breve possível”, para que a empresa possa alcançar os seus desígnios.

Miguel Pinto disse que estão à espera de uma resposta do Governo desde 01 de Janeiro último, mas até agora não têm qualquer sinal.

A Frescomar é uma sociedade anónima cabo-verdiano-espanhola que obteve certificado de empresa franca em Abril de 1997 para se dedicar à prática da transformação do pescado e sua comercialização, tendo a Europa como principal mercado.

Fonte: Inforpress