São Vicente: Deputados do PAICV pedem retoma de deslocações do Centro Comum de Vistos

Mindelo, 21 Abr (Inforpress) – Os deputados do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) eleitos pelo círculo eleitoral de São Vicente fizeram um apelo hoje, no Mindelo, para que sejam retomadas as deslocações do Centro Comum de Vistos (CCV).

Os eleitos afirmaram hoje, em conferência de imprensa, no Mindelo, que as reclamações vêm da própria população de São Vicente, mas também das outras ilhas do norte do País, que já estão “quase em desespero”.

“O custo de um pedido de visto para esta população é exagerada, para além de, neste momento, a marcação (na Cidade da Praia) ser somente depois de Setembro”, explicou o porta-voz, João do Carmo, para quem esta “situação gravíssima” é também “anti-constitucional”.

Isto porque, considerou, as pessoas “não têm liberdade, num país como Cabo Verde e com a democracia que temos, de viajar quando querem e dentro das condições que o Centro Comum de Vistos impõe”.

João do Carmo assegurou que não há previsão do CCV deslocar-se à São Vicente, por isso, mesmo sabendo que a solução “não está directamente nas mãos do Governo”, instou o executivo a tentar resolver o problema através do diálogo, das relações diplomáticas com a União Europeia.

Relacionado ainda com viagens, os deputados do PAICV pediram também a intervenção do Governo nos preços das passagens da companhia nacional, que têm um preço para a Cidade da Praia, outro para Mindelo e outro para ilha do Sal.

“Não se compreende já que estamos a falar de três ilhas, três aeroportos internacionais, o mesmo tempo de voo”, lançou a mesma fonte, para quem o que se entende é a “procura elevada” por São Vicente, “ilha que toda gente quer conhecer”, contudo, “a solução é aumentar a oferta e não aumentar preços das passagens”.

Os eleitos da oposição disseram também não entender o porquê de o preço do combustível de aviões ser mais caro no Mindelo, do que noutras ilhas.

Daí, assegurou, neste quesito a resolução “passa directamente pelo Governo” que “tem de agir rapidamente”.

Confrontado ainda com a declaração proferida na semana passada pelo ministro do Mar a exigir condições para o Aeroporto Cesária Évora, em São Vicente, ter voos nocturnos, João do Carmo considerou ser “somente uma declaração política para enganar os sanvicentinos, num momento em que o Governo atravessa um momento difícil em São Vicente e nas ilhas do norte”.

Segundo a mesma fonte, o aeroporto no período diurno está “às moscas” com “poucos” voos internacionais directos para São Vicente, sendo assim, “podia-se aproveitar muito mais o aeroporto e depois dizer que a solução é ter voos noturnos”.

“Os governos do PAICV e de José Maria Neves tiveram uma visão clara com relação à ilha de São Vicente que foi a construção do aeroporto internacional. Cabe aos governos sucessivos a boa utilização desta infra-estrutura e ocupação durante o dia, que claramente está preparado”, sublinhou.

Referindo a outros problemas que estão a prejudicar a ilha, João do Carmo falou ainda o “abandono” a que está dotado a praia da Baía das Gatas, uma das maiores zonas balneares do País, que “está sendo destruída pelo Governo”.

As obras na praia, justificou, estão a decorrer há mais de três anos, quando foi uma das “bandeiras” das campanhas, mas agora está “muito feia para os olhos de qualquer cabo-verdiano e de qualquer um que visite Baía das Gatas”.

LN/HF

Fonte: Inforpress