São Vicente: Deputados do PAICV consideram que há retrocesso na saúde e que HBS deixou de ser referência

Mindelo, 05 Out (Inforpress) – Os deputados do PAICV (oposição), eleitos pelo círculo de São Vicente, defenderam hoje que a saúde sofreu um retrocesso na ilha nos últimos anos, e que o Hospital Baptista de Sousa deixou de ser referência de saúde nacional.

Esta posição do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) foi manifestada por João do Carmo após ter efectuado, junto com a deputada Josina Freitas, um conjunto de visitas às estruturas de saúde na ilha de São Vicente, no âmbito da preparação do debate com o ministro da Saúde no parlamento.

Segundo João do Carmo, há fraca execução do Governo do MpD em vários sectores de governação, há claramente um retrocesso no sector da saúde e o Hospital Baptista de Sousa (HBS) que sempre foi uma referência de saúde em Cabo Verde deixou de ser.

Um dos exemplos, explicou, é a falta de um aparelho Tomografia Axial Computadorizada (TAC) no HBS, para serviço público de saúde, principalmente para as pessoas mais carentes.

“A parceria público-privada é fundamental, ajuda o sistema, mas a prioridade terá de ser o serviço público. Na reunião com a direcção do HBS defendemos que o hospital merece e tem de ter um aparelho de TAC próprio do sistema público. Não podemos depender da parceria público-privado que até há dias facilitava duas consultas mensais e que, somente há pouco tempo, que o contrato foi renovado, é que passou para sete consultas mensais”, criticou o eleito nacional, para quem esta situação está a “favorecer o privado e afrontar as pessoas” que têm de fazer campanha de arrecadação de dinheiro para ter o serviço.

Conforme João do Carmo, há uma “indelicadeza para com o pessoal do próprio sector da saúde que deixou de ter prioridade na marcação de consultas”, além das “dificuldades” também sofridas pela população em geral.

“Isso provoca desmotivação e os profissionais da saúde têm de ter prioridade para que possam ter motivação para cuidar das pessoas de uma forma geral”, afirmou, acrescentado que “encerraram a enfermaria de tuberculose e os doentes estão a ser acompanhados em casa, que há carência de médicos, especialistas em várias áreas, de enfermeiros e técnicos de laboratório”.

Outra crítica do deputado é o “incumprimento da promessa”, feita pelo Governo em 2016, de construir o Centro de Saúde de Monte Sossego, que mesmo após a disponibilização do espaço para a construção da infra-estrutura pela Câmara Municipal de São Vicente, não o inscreveu no Orçamento do Estado para 2022.

“Há mais de dois anos a CMSV disponibilizou um espaço na Avenida de Holanda e que serve para a construção do novo centro e o Governo não está interessado. O centro de saúde está instalado numa infra-estrutura que não tem mínimas condições, numa zona com mais de 22 mil pessoas”, disse.

A mesma fonte lembrou que “dos sete centros existentes na ilha, somente os da Ribeirinha e da Ribeira de Craquinha é que têm condições para o funcionamento do sistema porque foram construídos de raiz”.

Em jeito de conclusão, o deputado do PAICV considerou que a saúde em São Vicente” não está bem e que precisa urgentemente de melhorias”, porque tem sido tomadas “várias decisões que prejudicam a população, principalmente às pessoas com mais dificuldades sociais, que é a classe que tem aumentado na ilha”.

No entanto aproveitou para parabenizar o Governo pela campanha de vacinação contra a covid-19 encetada no País e o pessoal da ilha de São Vicente pelo “excelente trabalho” no combate à pandemia, enaltecendo o facto de 87,9 por cento (%) da população elegível já estar vacinada com a primeira dose e 77 ,3 % com a segunda dose.

CD/ZS

Fonte: Inforpress