Fogo: Abundância de cifrões sem impacto no combate à miséria e pobreza em São Filipe – CPR PAICV

São Filipe, 01 Jul (Inforpress) – A “abundância de cifrões” em São Filipe não se reflecte no combate à pobreza e diminuição da miséria, disse hoje a Comissão Política Regional do Fogo do PAICV, em conferência de imprensa, sobre a situação socioeconómica do município.

“Se há abundância de cifrões, há, no entanto, pobreza de acções”, afirma o porta-voz da Comissão Política Regional (CPR) do PAICV, Eugénio Veiga, indicando que “há pouca dinâmica e nula a voz reivindicativa”, observando que “os homens e mulheres de manduco de outrora, neste momento, precisam-se”.

Na perspectiva da CPR do PAICV, nos últimos dois anos, de entre o Fundo de Financiamento Municipal, os Fundos do Ambiente e de Manutenção Rodoviário, a Taxa Aeroportuária, o Programa Requalificar, Reabilitar e Acessibilidades (PRRA), e empréstimos de curto e longo prazos, o município de São Filipe arrecadou mais de 800 mil contos sem contar com mais 150 mil contos provenientes da cooperação descentralizada.

“Uma estimativa, por defeito, apontaria que com os meios postos à disposição da câmara, cada Sanfilipense teria direito a cerca de 46 mil escudos se fossem distribuídos, isso dá uma ideia da dimensão de volume financeiro circulante”, disse o porta-voz da CPR, sublinhando que não há realização de quaisquer obras.

Durante a conferência de imprensa, o PAICV fez uma “radiografia” dos diferentes sectores, incluindo aquelas que consideram ser “as obras mais visíveis” da actual equipa, atribuindo uma nota negativa ao desempenho.

“Todas as acções são do Governo Central e da Câmara Municipal simultaneamente, daí a avaliação do desempenho ser ainda mais negativa”, disse Eugénio Veiga, adiantando que “os dois juntos estão evidenciando que a união, excepcionalmente, traz fraqueza”.

Para o PAICV-oposição, com os recorrentes empréstimos de curto prazo, um em 2017 no valor de 20 mil contos, outro em 2019 no igual montante, além de um empréstimo de 18 mil contos para aquisição de viaturas diversas sob a forma de leasing, os compromissos do município não estão a ser honrados, apontando o caso de dívidas aos operadores de transporte escolar durante cinco meses.

“Com os empréstimos a longo prazo, obras não aparecem e tem havido degradação do ambiente social, sobretudo no interior, onde as pessoas estão abandonadas e sem demonstração de qualquer acto de solidariedade dos governantes”, afirma o porta-voz da CPR, sublinhando que a miséria de muitas famílias cresce com o crescimento do volume das dívidas municipais.

Na óptica do PAICV no final do mandato, dentro de um ano, as dívidas do município de São Filipe poderão passar a comprometer ainda mais o normal desenvolvimento do seu território.

Eugénio Veiga que é vereador na Câmara Municipal de São Filipe, indicou que em Novembro de 2016 quando foi apresentada a proposta para contracção do empréstimo chegou a defender que não seria conveniente e seria necessário uma melhor radiografia antes do empréstimo, mas o presidente da câmara teria reafirmado que era o momento justo para ter tempo suficiente para a realização das obras.

“O PAICV não está a condenar a contracção da dívida, mas a suscitar uma realidade da contracção da dívida sem a correspondência das obras”, advoga o porta-voz, indicando que são 150 mil contos dos Sanfilipenses para determinadas obras.

Segundo o mesmo, o valor dos empréstimos está totalmente utilizado e as obras, exceptuando a relva de São Lourenço e parte de material para o campo de Lém, não há mais dinheiro, sublinhando que empréstimos podem ser feitos diariamente desde que obras sejam realizadas.

Fonte: Inforpress