Santiago Norte: PAICV responsabiliza Governo pelas situações de “extrema pobreza” e desemprego na região

O SOS está lançado com a Comissão Política Regional do PAICV Santiago Norte a responsabilizar, hoje, o Governo liderado pelo MpD pelas situações de “extrema pobreza” e desemprego na região. A oposição afirma que as assimetrias regionais e as desigualdades estão a recalcar a população do seis municípios do interior da ilha maior de Cabo Verde.

Santiago Norte: PAICV responsabiliza Governo pelas situações de “extrema pobreza” e desemprego na região
“Passados três anos da governação do Movimento para Democracia (MpD, poder), três anos do abandono dos compromissos assumidos pelo MpD para com a Região Santiago Norte, hoje assistimos uma ausência do Governo em tudo que pudesse ser investimentos para impulsionar a região, no sentido de inverter as assimetrias em relação às outras regiões do país”, constatou o presidente da CPR do PAICV, António Fernandes citado pela Inforpress.

Este dirigente do principal partido da oposição, que falava em conferência de imprensa, no bairro de Achada Riba, em Assomada, no concelho de Santa Catarina, para denunciar a situação por que passa a região, em domínios social e económico, afirmou que a segunda região mais populosa da ilha de Santiago foi colocada “completamente ao abandono” pelo executivo.

“Como consequência, temos um avolumar da extrema pobreza, num contexto que o próprio Governo afirma que o país tem dinheiro que nunca mais acaba, assistimos o aumento generalizado e qualificado do desemprego, uma triste realidade”, lamentou.

É que, segundo a mesma fonte, o PAICV não consegue ver “nenhuma acção sustentável do Governo para inverter o quadro e trazer Santiago Norte para pelo menos igualar às outras regiões do país.

A título de exemplo, informou que, neste momento, se assiste problemas na gestão de água (…) em que a população fica à espera seis meses para ter o líquido na rede e para a agricultura. No eu entender, a “questão de fundo” tem a ver com a “má distribuição” da água, que agrava a penúria a todos os níveis.

Ainda no concernente à água, fez saber que a gestão dos furos tem sido feita pelos “cabos eleitorais” do MpD. Aliás, afirmou que este partido está a promover o partidarismo na distribuição de água para a agricultura.

António Fernandes considerou a situação de “grave”, sublinhando que é um precedente que “não deve e não pode continuar”, lamentando, por outro lado, o facto de haver a água nas barragens, mas, paradoxalmente, o cultivo ao redor das mesmas está secar, porque o Governo não tem “uma visão e plano de utilização” da água para agricultura.

No concernente à juventude, o PAICV afirma que o sector “está completamente abandonado”, revelando que a taxa de desemprego aumentou de forma “gravosa e generalizada” em Santiago Norte, com três municípios a registar maior taxa no contexto nacional.

Emprego fitícios e incumprimento das promessas
Na ocasião, António Fernandes denunciou que algumas câmaras municipais da região, nomeadamente a de Santa Catarina, estão a tentar “fintar” um inquérito que vinha sendo realizado pela instituição que mede o desemprego em Cabo Verde, abrindo “vagas fictícias” de postos de trabalho, que segundo ele, foram justamente para dar uma impressão de que efectivamente o desemprego está a baixar.

“Santiago Norte estaria na linha do desenvolvimento mais equilibrado se o Governo do MpD não interrompesse os investimentos levados a cabo pela governação do PAICV e se o Governo do MpD cumprisse as promessas de 2016”, vaticinou António Fernandes.

De entre as promessas do Governo do MpD, destacou o porto de pesca de Ribeira da Barca, ancoradouros de pesca em Rincão e outras comunidades piscatórias, porto alternativo à cidade da Praia em Santa Cruz, porto de recreio no Tarrafal, mobilização de água para agricultura, e para abastecimento público, promoção da empresarialização do sector agrícola e agro-negócio e, formação profissional generalizada aos jovens.

“Se o país tem dinheiro que nunca mais acaba, perguntamos se Santiago Norte não é Cabo Verde? Por quê? Por que, fazer investimentos sustentáveis em Santiago Norte é apenas uma questão de justiça social, do equilíbrio regional, do combate as assimetrias e também do próprio cumprimento das promessas de um Governo de muita propaganda, mas que na prática continua a deixar a população à mercê a da sua sorte”, enfatizou Fernandes segundo a Inforpress.

Fonte: Asemana