Saída das pessoas de Santo Antão segundo o PAICV constitui uma “séria ameaça” para ilha

Cidade da Praia, 29 Jul (Inforpress) – O PAICV (oposição) afirmou hoje, citando as projecções do Instituto Nacional de Estatística (INE), que até 2030, Santo Antão terá uma população inferior a 33 mil pessoas, constituindo uma “séria ameaça” para a ilha.

Intervindo no período das questões gerais, a deputada do Partido Africano da Independência de Cabo Verde para o círculo eleitoral de Santo Antão, Vera Almeida, disse que os sinais são “desencorajadores”, isto, segundo ela, tendo em conta os três últimos anos que têm sido “devastadores” para a ilha e a sua população, mais concretamente as famílias do campo.

A deputada apontou os dois anos de “seca severa”, a “incapacidade do Governo em implementar” o Plano de Emergência e Mitigação da Seca e o mau ano agrícola em 2017 e “ineficiente” estratégia em 2018, como sendo “desencorajadores” e afirmou que o Governo continua num “silêncio profundo” em relação à “incógnita da chuva em 2019”.

“Pior, assiste-se à assinatura de protocolos com pompas e circunstâncias, para a delegação de competências às câmaras municipais, que passam a responder pelo sector agrícola nos municípios, mas tudo muito vago, sem clareza na definição em relação aos trabalhadores, aos patrimónios e à efectiva transferência de recursos, numa clara desresponsabilização do Governo num sector que é a principal actividade económica da ilha de Santo Antão”, lamentou a parlamentar.

Na sua óptica, deve-se fazer um estudo “pormenorizado” do perfil das pessoas que saem da ilha das montanhas, as razões da tal “fuga”, e reconhecer as suas “eventuais expectativas” de fixação nas suas comunidades, antes que seja “tarde demais”.

Realçou, ainda, que, ao ser confrontado com esta situação, o primeiro-ministro garantiu medidas para o crescimento da economia da ilha, através da dinamização do turismo, da agricultura, pesca e requalificação urbana, mas que “não surtiu efeitos”.

“O nosso receio é que o sector agrícola faça com que a economia da ilha se degrade com os desinvestimentos, mantendo-se incipiente e fragmentado e sem capacidade para escoar os produtos para outros mercados, devido ao embargo e à deficiente ligação marítima”, manifestou Vera Almeida.

Por sua vez, na sua intervenção, o secretário de Estado Adjunto do ministro de Estado, Carlos Monteiro, afiançou que, passados dois anos da implementação do plano de mitigação da seca, o executivo “não recebeu queixas dos criadores”.

“As medidas estão a ser implementadas com sucesso”, regozijou-se Carlos Monteiro, acrescentando que Santo Antão foi alvo de medidas de “discriminação positiva” na implementação do Plano de Mitigação da Seca e mau ano agrícola.

O governante considerou que com a implementação do referido plano, a “situação melhorou consideravelmente”, referindo-se ao “reforço no salvamento de gado e mobilização da água”.

“Não é só construir barragens. É preciso qualquer coisa a mais. Portanto, a nossa filosofia é diferente”, indicou o governante, concluindo que a aposta deve incidir na “resiliência do sector agrícola” e diversificação das fontes da água.

Fonte: Inforpress