Rui Semedo diz que o PAICV acompanha “com muita preocupação” a guerra na Ucrânia

Cidade da Praia, 24 Fev (Inforpress) – O presidente do PAICV (oposição), Rui Semedo, disse hoje que o seu partido acompanha “com muita preocupação” a guerra na Ucrânia e lamenta “profundamente” que a situação tenha chegado a este desfecho.

“Condenamos qualquer que seja a resolução de conflitos que não seja com base nos princípios e normas internacionais”, apontou o responsável máximo do partido da estrela negra.

“Nós defendemos que as relações internacionais devem basear-se nos princípios do respeito do direito internacional, dos direitos humanos e da igualdade entre os estados “, frisou o líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde, lembrando que a Constituição cabo-verdiana defende os princípios de não ingerência nos assuntos internos dos outros estados.

O presidente do maior partido da oposição disse que o PAICV defende a paz, o diálogo e a negociação como forma para a resolução dos conflitos e acrescenta que as Nações Unidas devem ter um papel importante neste sentido.

“Esperamos que ainda haja condições para o diálogo de modo que a situação seja resolvida sem grandes baixas humanas e económicas que terão reflexos e consequências a nível internacional”, apelou Rui Semedo.

Na sua perspectiva, a situação da guerra na Ucrânia pode criar “dificuldades económicas e sociais, tanto para os países envolvidos, como para outros, como Cabo Verde, que não está alheio a esta guerra”.

“Cabo Verde é muito vulnerável a choques externos e um conflito desta natureza constitui seguramente um choque profundo e poderá despoletar novas dimensões da crise económica internacional”, indicou Rui Semedo, lembrando que o País já está a enfrentar problemas derivados de consecutivos anos de seca e da pandemia de covid-19.

Para o líder do partido da estrela negra, o Estado de Cabo Verde deve acompanhar a situação na Ucrânia com muita atenção, a fim de “tentar o máximo possível proteger o País dos impactos negativos desta crise internacional”.

O Presidente da República, José Maria Neves, também já se declarou “muito preocupado” com o que se passa na Ucrânia e salientou que esta guerra terá “consequências incalculáveis” para a humanidade.

Por sua vez, o Governo de Cabo Verde condenou “inequivocamente” o recurso à ameaça e ao uso da força nas relações entre Estados, defendendo o respeito pelos valores e pelo Direito internacional, plasmados na Carta das Nações Unidas.

Cabo Verde já criou um grupo de trabalho constituído por representantes do Presidente da República, Ministério dos Negócios Estrangeiros, gabinete do primeiro-ministro e gabinete da ministra do Estado e da Defesa Nacional para monitorar e seguir de perto a situação na Ucrânia.

O exército russo confirmou o início do bombardeamento de território da Ucrânia, mas garantiu que os ataques têm apenas como alvo as bases aéreas ucranianas e outras áreas militares, não zonas povoadas.

LC/JMV
Fonte: Inforpress