Professores da Praia saem às ruas para exigir do Governo “respeito, dignidade e resolução das pendências”

Cidade da Praia, 01 Fev (Inforpress) – Os professores saíram hoje às ruas da Cidade da Praia para exigir do Governo “mais respeito, dignidade, reajuste salarial, descongelamento da carreira”, isto é, o “cumprimento de todos os compromissos assumidos” com a classe.

À imprensa, o presidente do Sindicato Nacional dos Professores (Sindep), Jorge Cardoso, que disse que contou com “boa adesão” dos professores, e lembrou que as reivindicações são provenientes do “incumprimento do estatuto da carreira do pessoal docente”, que entrou em vigor no dia 13 de Dezembro de 2015. e que até esta data o Governo “não cumpriu nem sequer uma vírgula”.

Os casos “mais gritantes”, mencionou, são as reclassificações de 2016 a esta data que estão por sair e  o congelamento dos salários dos professores desde 2016, indicando que inclusive o Governo tem três meses de dívida a quitar a esta data.

O Sindep aponta ainda o não pagamento dos subsídios pela não redução da carga horária aos professores que leccionam em mono-docência desde 2017 a esta data, não resolução dos subsídios pela não redução dos aposentados de 2010 a 2015 e sua inclusão no cálculo das pensões, bem como abuso de poder por parte dos gestores (delegados e directores).

“São várias questões que afligem os professores, daí que decidiram fazer essa primeira manifestação e seguramente irão lutar de outras formas”, prognosticou, informando que “o mais tardar no mês de Março” partirão, novamente, para greve e manifestação, caso o Governo não resolver estas pendências.

“Queremos resolução e não promessas, e as lutas serão contínuas até a resolução definitiva dos problemas”, perspectivou Jorge Cardoso.

Este responsável avistou que nestes últimos dias, o ministério da Educação, através dos directores, ministro e o primeiro-ministro “investiram praticamente em intimidar” os professores.

Reagindo ao pedido de “bom senso” do ministro da Educação aos professores, devido a pandemia, o presidente do Sindep disse que “bom censo deveria partir do elenco governamental” por que, a seu ver, o Governo não deve solicitar “bom senso” de um professor que há sete anos está a aguardar a reclassificação e que está a perder 20 a 30 mil escudos mensalmente.

“A classe que tem vindo a ser sacrificada, a sofrer, é que deverá solicitar bom censo e o respeito” ao Governo”, reiterando, igualmente, que é o Executivo quem deve ter bom censo para com todos os trabalhadores cabo-verdianos.

“E as reclassificações que o ministro da Educação está a propalar, são afirmações falsas para enganar a sociedade cabo-verdiano, porque o Governo sabe e muito bem que quando assumiram as funções encontrar as reclassificações de até 2015 e anularam para fazer uma nova cronograma na resolução dessas reclassificações e foram feitas de 2015 até esta data”, ressalvou Jorge Cardoso.

O Sindep, continuou, está sempre disponível para o diálogo, tendo Jorge Cardoso informado que na passada sexta-feira reuniram-se com o ministro da Educação que prometeu fazer um cronograma da resolução das pendências, tendo agendado outro encontro para meados do mês de Março.

No entanto,  este responsável reiterou que continuarão a trabalhar para “obrigar o Governo a cumprir” com esta “importante classe”, que já se encontra “agastada, com as promessas não cumpridas”.

Os professores fizeram o percurso Avenida Cidade de Lisboa-rotunda Homem de Pedra, com paragem ao lado do Estádio da Várzea de frente para o palácio do Governo.

TC/AA

Fonte: Inforpress