Presidenciais 2021: José Maria Neves realça necessidade do “equilíbrio do poder” em “tempos difíceis”

Cidade da Praia, 04 Out (Inforpress) – O candidato às eleições presidenciais de 17 de Outubro José Maria Neves sublinhou este domingo a necessidade do equilíbrio de poder em Cabo Verde, sobretudo nos tempos “mais difíceis” da crise que o país está a viver.

Ao dirigir-se ao eleitorado num mini-comício em Achada de Santo António, depois de ter percorrido o bairro acompanhado de uma grande comitiva, o candidato presidencial alertou que depois destas eleições presidenciais os cabo-verdianos vão descobrir a verdadeira situação do país.

“Não é por acaso que os preços estão a subir, mesmo nas vésperas das eleições. É porque a situação está deveras complicada”, disse, avisando que depois das eleições as dificuldades vão se revelar muito maiores do que estão a aparecer neste momento.

“Estamos com muito desemprego, mais pessoas que não conseguem fazer as três refeições e temos mais pobreza e mais desigualdades em Cabo Verde. Precisamos de um presidente que ajuda o país a reconstruir-se depois desta pandemia, um presidente que une, que cuida, que protege Cabo Verde”, sustentou.

José Maria Neves esclareceu que o Presidente da República não governa, mas que é sim árbitro de jogo político, que vai arbitrar o jogo entre o Governo e a oposição, entre o Governo e o Parlamento, entre Estado e Município e entre Estado e a sociedade.

“O presidente deve chamar a atenção quando as coisas não estão bem…Se colocarmos todo o poder de um lado haverá abusos. Por isso nós queremos mais equilíbrio para podermos ter mais força, para podermos proteger as nossas liberdades fundamentais, proteger a democracia e o Estado de direito”, sustentou.

José Maria Neves propõe ser o guardião da constituição e zelar pelo cumprimento dos direitos fundamentais dos cidadãos, e, sobretudo, garantir os direitos sociais, económicos e culturais.

“Há quem defenda que para termos estabilidade temos de ver um Presidente do mesmo lado político com o Governo, mas fosse assim ficaríamos no regime do partido único. Não precisávamos da democracia”, disse, explicando que democracia é pluralismo e diferença.

“Então, se nós tivermos pluralismo, diferença a nível de sistema do Governo teremos mais equilíbrio, mas riqueza, mais força e defendemos mais a nossa liberdade e democracia e mais estado de direito”, acrescentou, pedindo aos cabo-verdianos que no dia 17 não fiquem em Cabo Verde porque “a luta é de todos”.

Nesta segunda-feira, quinto dia da campanha, José Maria Neves volta ao interior de Santiago para estar com os eleitores de São Miguel e Tarrafal.

Nas presidenciais de 17 de Outubro, concorrem outros seis candidatos – Fernando Delgado, Gilson Alves, Carlos Veiga, Hélio Sanches, Casimiro de Pina e Joaquim Monteiro.

As últimas eleições presidenciais em Cabo Verde ocorreram no dia 02 de Outubro de 2016, com três candidatos (Albertino Graça, Jorge Carlos Fonseca e Joaquim Monteiro). Venceu Jorge Carlos Fonseca na primeira volta para um segundo mandato, com 74% dos votos.

MJB/JMV

Fonte: Inforpress