Presidenciais 2021: José Maria Neves pede “controlo rigoroso” ao processo eleitoral e alerta para possíveis ataques ao sistema

Pedra Badejo, 12 Out (Inforpress) – O candidato às eleições presidenciais de 17 de Outubro em Cabo Verde José Maria Neves pediu hoje um “controlo rigoroso” ao processo eleitoral e alertou para possíveis ataques ao sistema digital de contagem dos votos.

O candidato falava aos jornalistas em Pedra Badejo, Santa Cruz, onde esteve em campanha eleitoral no início da tarde de hoje.

José Maria Neves, cujo lema da campanha é “Djunta Mon Kabésa y Korason” , afirmou que em “condições normais” a sua candidatura ganhará estas eleições já na primeira volta, contando com a votação dos residentes e da diáspora.

“A única questão agora, é controlar o processo eleitoral, contagem também para ser feita da melhor forma possível. Sabemos que as tecnologias informacionais agora têm muitas fragilidades. Temos de assegurar que não haja hackers possíveis que possam entrar no nosso sistema de contagem”, disse.

O candidato aproveitou uma vez mais para apelar às pessoas a irem às urnas e votar em consciência, já que, conforme salientou, estas eleições são “extremamente importantes” para Cabo Verde, já que “definem o futuro de Cabo Verde nos próximos 10 a 15 anos.

Esta manhã, a candidatura do ex-primeiro-ministro voltou à carga com a denúncia sobre o envolvimento do Governo na campanha das presidenciais a favor de uma das sete candidaturas.

Através de um comunicado, adianta que o artigo 97º do Código eleitoral, sob a epígrafe “Neutralidade e imparcialidade das entidades pública”, estipula, no seu nº 1, que “os titulares dos órgãos e os funcionários e agentes do Estado, dos municípios e de outras pessoas colectivas de direito público, (…), devem, no exercício das suas funções, manter a rigorosa neutralidade perante as diversas candidaturas”.

“Com este comando legal, o Estado de Cabo Verde pretende tratar em pé de igualdade todas as candidaturas e evitar que recursos públicos sejam utilizados de forma discricionária pelos titulares de cargos políticos, consoante as suas preferências eleitorais”, refere o comunicado.

Entretanto, afirma que o Governo, de forma reiterada e ostensiva, vem ignorando este e outros dispositivos do Código Eleitoral, envolvendo-se directamente, sob as mais diferentes formas, no apoio a uma determinada candidatura, em detrimento das outras, o que poderá pôr em causa a verdade eleitoral.

“É público e notório que o Governo, à margem da lei, elegeu Carlos Veiga como o seu candidato oficial, participando activamente na campanha, diretamente e através dos serviços desconcentrados, não se coibindo de atacar e denegrir a imagem de outros concorrentes, do mesmo passo que publicamente promove e enaltece a candidatura de Veiga. Tudo

isso, utilizando recursos públicos que são de todos os cabo-verdianos”, denunciou.

Nas presidenciais do dia 17 de Outubro, concorrem outros seis candidatos – Fernando Delgado, Gilson Alves, Carlos

Veiga, Hélio Sanches, Casimiro de Pina e Joaquim Monteiro.

As últimas eleições presidenciais em Cabo Verde ocorreram no dia 02 de Outubro de 2016, com três candidatos (Albertino Graça, Jorge Carlos Fonseca e Joaquim Monteiro), venceu Jorge Carlos Fonseca na primeira volta com 74% dos votos, para um segundo mandato.

MJB/JMV
Fonte: Inforpress