Praia: ’Cash-or-body’ em dobro com facão e arma de fogo que não entrará nas estatísticas

Cash-or-body’ duplo que não entrará nas estatísticas. Dois assaltos com facão e arma de fogo, a um levaram a mochila com tudo o que tinha, tudo em menos de 10 minutos, numa rua da cidade-capital, na alvorada da segunda-feira deste abril. Mas o seu registo será zero: “Chamar a polícia para quê? Só uma perda de tempo!”, afirma um dos dois homens assaltados.

Praia: ’Cash-or-body’ em dobro com facão e arma de fogo que não entrará nas estatísticas
A minutos das seis da manhã, o homem está junto ao carro quando ouve: “Tio, não tem nada para nós?” São dois rapazes vindos das bandas da Achadinha Pires-Moinho, deduz.

Responde que não tem nada. Um aponta o ‘boka-bedju’ enquanto o outro se mexe em volta da sua presa deste amanhecer, ainda lusco-fusco.

“Telemóvel, carteira?”, insiste um, o que tem o facão, antes de aproximar-se do porta-luvas.

O “Tio” dá um passo e o ‘thug’ aponta-lhe o facão.

Não têm mais de 18 anos e estão nervosos, relata o “Tio”, quinquagenário. “Se eu quisesse usar a arma eles estariam ou mortos ou feridos e eu ia perder tempos infinitos com idas à polícia, ao tribunal”.

O cidadão afirma-se escaldado com um recente assalto à casa de um familiar, em que a investigação da polícia científica quedou-se pela recolha de impressões digitais abundantes na casa assaltada à hora do almoço dum domingo. Imagens de câmara? Havia-as em dois estabelecimentos vizinhos, mas não foram cedidas…

“Eu calmo, eles nervosos”. O da arma artesanal está sempre a olhar para trás e insiste com o outro para irem embora.

Mas o do facão tirou a chave da ignição e abriu o porta-documentos, atirando tudo para fora. Entretanto o ’thug’ da arma de fogo insiste “Deixa. Vamos!”.

“Está ansioso demais para sair dali, suponho que terão assaltado alguém, aí, entre Lém-Cachorro e Fazenda”.

O ’thug’ do facão continuava a revirar o carro todo. Nada. Também nada, nos bolsos atrás dos assentos do condutor e do pendura.

O ’thug’ do facão já viu que não há nada roubável. Então cede e os dois vão embora. A próxima vítima está a alguns passos no mesmo quarteirão.

Um homem à beira dos trinta espera a abertura da escola de condução. Com as duas armas apontadas, só lhe resta entregar a mochila.

Assalto realizado, os dois ’thugs’ correm aparentemente em direção às escadinhas junto ao novo centro comercial ’Khym Negoce’.

Fonte: Asemana