Porto Novo: Zonas rurais “completamente abandonadas e com “graves problemas sociais”, denuncia líder local do PAICV

Porto Novo, 11 Jul (Inforpress) – A primeira secretária do PAICV (oposição) no Porto Novo, Santo Antão, Elisa Pinheiro, considerou, hoje, que as zonas rurais neste município estão “completamente abandonadas, sem soluções, sem emprego público, sem obras públicas e com graves problemas sociais”.

Elisa Pinheiro, falando à imprensa, na cidade do Porto Novo, avançou que o interior deste concelho enfrenta anos de seca, sem que “o Governo e a câmara municipal consigam socorrer as populações”, que se deparam com problemas do emprego, escassez de água e de pasto para os animais”.

“Na verdade, são cada vez mais as denúncias das comunidades rurais, que vêm vivendo momentos de aflição, sem que os poderes públicos demonstrem sensibilidade para as acudir”, sublinhou a líder local do PAICV, que se interrogou sobre o paradeiro dos “dez milhões de euros disponibilizados por instituições internacionais” para a mitigação da seca, em Cabo Verde.

Elisa Pinheiro dá “nota negativa” ao actual executivo camarário que está a um ano do término do mandato, marcado, no seu entender, por “um balanço extremamente negativo”.

Disse que o edil, Aníbal Fonseca, prometeu priorizar a juventude, mas, em vez disso, além de ter, “logo que assumiu a edilidade, em 2016, despedido centenas de jovens, por vingança”, não criou “oportunidades de emprego e formação” para esta camada, “nem, ao menos, apresentou qualquer política ou medida” capaz de promover empregos.

“E, neste momento, o que se verifica é um aumento significativo do desemprego no concelho, onde as mulheres e jovens continuam sendo os mais afectados”, notou a primeira secretária do PAICV, alertando que os jovens, devido à “falta de visão” da edilidade, continua a abandonar o concelho, “com destino ao estrangeiro ou a outras ilhas”.

A responsável admitiu, contudo, que na cidade do Porto Novo, “para aliviar a tensão”, a câmara municipal tem realizado “pequenas acções avulsas”, que, porém, “são propagandeadas como grandes feitos e não como obrigação institucional”.

Em relação a “promessas não cumpridas” pela autarquia e Governo, Elisa Pinheiro destacou a rede de desgostos, a estação de tratamento de águas residuais (ETAR), o ensino superior, a biblioteca municipal, as estradas de penetração e as infra-estruturas desportivas (dois campos relvados, polidesportivo coberto, pista de atletismo), além de apoios à cultura.

No domínio da agricultura, a primeira secretária do PAICV referiu-se àquilo que considera “a proliferação da praga dos mil-pés” pelos vales agrícolas, como Martiene e Ribeira da Cruz.

O caís de pesca, o mercado de peixe, o aeroporto internacional, a extensão do porto são outras “promessas eleitorais” do Governo e da câmara do Porto Novo que, segundo Elisa Pinheiro, “ainda não saíram do papel”, servindo “apenas para propaganda eleitoral”.

Fonte: Inforpress