Porto Novo: “Somos também cristãos e merecemos atenção da câmara e do Governo” – camponeses

Porto Novo, 04 Out (Inforpress) – O ano agrícola “está comprometido” no município do Porto Novo, Santo Antão, devido à demora na queda de precipitações, situação que obriga os camponeses a “implorarem” a “atenção” da câmara municipal e do Governo.

“Somos também cristãos e merecemos atenção da câmara e do Governo, que precisam olhar para o mundo rural neste concelho, a enfermar três anos de seca seguidos”, suplicou Marciano Guilherme, residente na zona Norte do Porto Novo.

Para este agricultor e criador de gado, dada a “demora de mais chuvas”, o “milho já está praticamente perdido” e o “pouco pasto que existia já secou”, razão pela qual a edilidade e o Governo “deveriam retomar o emprego público” para “socorrer” as famílias que, a seu ver, estão em “situação muito difícil”.

Domingos Delgado, outro camponês no interior do Porto Novo, abordado pela Inforpress, diz-se “desanimado” com a ocorrência de mais um mau ano agrícola neste município e considera que as populações rurais não têm ninguém que olhe para eles.

“Não temos ninguém para olhar para nós. A situação é mesmo difícil. Não há chuva, não temos água e nem emprego”, alertou este agricultor.

Gregório da Cruz mostrou-se “conformado” com “mais um ano muito difícil” neste concelho, onde muitas comunidades, caso da Planalto Norte, enfrentam, nesta altura, “crise de água” para consumo e para os animais.

Nesta altura estima-se que a seca está a pôr em risco a segurança alimentar de perto de 400 famílias, sobretudo, das zonas altas (planaltos Norte e Leste).

A própria câmara municipal, que já admitiu que caso não chova “nos próximos dias” o ano agrícola estará perdido, alertou para o facto de essas zonas não terem água para consumo e agricultura, nem pasto para os animais está a complicar a vida das famílias.

O presidente da câmara substituto, Valter Silva, informou que Porto Novo passa, neste momento, por “um momento muito complexo”, devido às mudanças climáticas, mas também por causa das secas que fustigam as populações.

“Temos um concelho extenso, com zonas muito complexas que tornam ainda muito mais difícil a questão de segurança alimentar”, explicou este autarca.

O Governo e autarquia dizem estar já a trabalhar com o cenário de mais um mau agrícola, estando inscrito do orçamento da câmara do Porto Novo uma verba, na ordem dos 37 mil contos, para a criação de empregos e resiliência nas comunidades.

Entretanto, para complicar ainda mais a vida aos camponeses, as pragas de gafanhotos e larga do cartuxo-do-milho estão a atacar as culturas interior do município, mas os técnicos do Ministério da Agricultura e Ambiente estão, há duas semanas, envolvidos no combate a essas pragas.

Fonte: Inforpresss