Parlamento rende-se ao papel da mulher africana na construção das sociedades

Cidade da Praia, 30 Jul (Inforpress) – O parlamento antecipou hoje a comemoração do Dia da Mulher Africana, porque quarta-feira, 31, é dedicado ao debate sobre o Estado da Nação, com os deputados a exaltar em uníssono o papel da mulher na construção das sociedades.

O tema foi introduzido pela deputada do Movimento para a Democracia (MpD, poder), Lúcia Passos, que foi aplaudido por todos os deputados.

A parlamentar destacou o contributo das mulheres africanas em vários sectores da sociedade.

“Celebrar este dia é, sobretudo, momento de reflexão sobre os desafios que as mulheres e os homens africanos têm para vencerem juntos”, indicou, reconhecendo o papel das mulheres africanas nas “significativas mudanças” que marcaram o continente, desde o processo da libertação nacional até à “consolidação da democracia e estabilidade política”.

Lúcia Passos fez essas considerações no período de questões gerais, um momento antes da ordem do dia que os deputados aproveitam para trazer à liça as preocupações dos seus círculos eleitorais.

Para a deputada, que é membro do parlamento africano, é “inegável a contribuição das mulheres africanas na construção da paz e segurança” em vários países do continente, e citou o exemplo de Ellen Johnson Sirleaf, que entrou para a história ao ser a primeira mulher eleita para o cargo de chefe de Estado (Libéria), Nobel da Paz e vencedora do prémio Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana.

Destacou de igual modo o papel das mulheres cabo-verdianas que “com sacrifício vem contribuindo com soluções inteligentes e duradoiras” para o “crescimento inclusive e sustentável” do continente.

Por sua vez, Felisberto Vieira (PAICV), membro do grupo nacional no Parlamento Panafricano, associou a sua voz à da deputada do MpD para também realçar o contributo da mulher africana na construção de um continente melhor.

“Cabo Verde sempre teve apostas assertivas nas políticas públicas em direcção ao empoderamento da mulher”, lançou Felisberto Vieira, que realçou o papel das mulheres desde a luta de libertação nacional até ao presente.

Lembrou que mais 65 por cento (%) de imigrantes são constituídos por mulheres provenientes de diversos países da Comunidade de Países para o Desenvolvimento Económico da África Ocidental (CEDEAO), assim como da China, Bolívia e da própria Europa.

Vieira aproveitou para anunciar a realização em Cabo Verde de um fórum continental sobre a eliminação de tuberculose, que, conforme, explicou, afecta maioritariamente as mulheres africanas.

A deputada Dora Oriana, eleita pelas listas da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) também fez ouvir a voz do seu partido nesta questão do Dia da Mulher Africana.

“Há a necessidade de se valorizar cada vez mais a mulher e só terá sucesso que ela os homens estiverem lado a lado a trabalhar para o mesmo ideal”, acentuou a deputada.

As recentes medidas adoptadas pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), introduzidas pelo PAICV, também foi motivo de discussão, tendo o deputado Julião Varela afirmado que há “excessiva ingerência” do Governo em relação à instituição.

“Esta situação acontece sempre que o Governo seja confrontado com a necessidade de fundos para implementar determinadas opções governativas”, indicou Varela, acrescentando que o INPS, apesar de se dizer que tem “tanto dinheiro”, vem “retirando o direito” aos segurados.

“O INPS retirou direitos aos trabalhadores”, vincou.

Para o ministro dos Assuntos Parlamentares, Fernando Elísio Freire, está-se perante uma “tentativa de governamentalizar o INPS”, que era “táctica do Governo anterior”.

O INPS, adiantou, é uma “administração competente” que está a tomar as medidas no sentido de aumentar a prestação aos cidadãos e “garantir a sustentabilidade do regime de segurança social”.