Parlamento: PAICV vai questionar o Governo sobre recenseamento e voto na diáspora

Cidade da Praia, 15 Dez (Inforpress) – O PAICV (oposição) vai questionar o Governo sobre o processo de recenseamento eleitoral e as condições criadas para que os cabo-verdianos na diáspora possam exercer o direito de voto nas próximas eleições de 2021.

O anúncio foi feito hoje por Rui Semedo, que falava em conferência de imprensa de balanço para abordar as jornadas parlamentares para última sessão plenária da Assembleia da República deste ano, que terá o debate mensal com o primeiro-ministro e como tema a emigração e o desenvolvimento, e análise de contas do Governo referente ao ano de 2016.

O líder da bancada parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) mostrou-se preocupado com o “atraso no recenseamento em muitos países” onde residem cabo-verdianos e com a possibilidade de as eleições “ficarem condicionadas apenas com assembleia de votos nos consulados e embaixadas”, devido a restrições impostas pela pandemia da covid-19.

“Para participar nas eleições temos que criar as condições para que os cabo-verdianos possam exercer o direito de voto, tudo dependerá de diligências, da vontade e de acções que devem ser desenvolvidas pelo arquipélago junto dos outros países para criar as condições para que os cabo-verdianos votem”, referiu Rui Semedo, que defendeu que o Governo deve negociar com os países de acolhimento.

Considerou que a comunidade cabo-verdiana espalhada pelo mundo tem dado uma “contribuição substancial e fundamental” para o desenvolvimento económico e social do País, e tem projectado a cultura cabo-verdiana no mundo.

“Temos que ver a nossa comunidade emigrada não só como um sujeito que participa no desenvolvimento interno do País com os investimentos, conhecimentos, mas também como um sujeito que da uma contribuição para ampliar a dimensão deste País ilhéu no mundo”, concretizou o parlamentar, onde, continuou, a cultura cabo-verdiana é “cada vez mais conhecida seguramente pela contribuição dada pela comunidade emigrada”.

Segundo Rui Semedo, os debates parlamentares sobre a emigração cabo-verdiana constituem uma oportunidade para render uma homenagem a todos aqueles que deixaram a terra-mãe para ir buscar novos horizontes e novas contribuições para o desenvolvimento do País.

Por outro lado, avançou que no debate de quarta-feira, 16, o parlamento terá “pela primeira vez a oportunidade” de apreciar as contas do Estado em relação à governação do MpD, onde o Tribunal de Contas deixou “uma serie de recomendações” referente às contas de 2016.

“Nas verbas dos recursos residuais, continua a ter montantes extremamente expressivos sem se especificar devidamente esses recursos. Outra questão tem a ver com os diversos fundos, designadamente o Fundo do Ambiente que precisa de maior controlo, fiscalização e de maior rigor na sua utilização e registou que apenas 78% deste montante foram prestadas contas”, referiu.

Fonte: Inforpress