Parlamento: PAICV questiona intenção do Governo em debater diáspora em ambiente de campanha eleitoral

Cidade da Praia, 16 Dez (Inforpress) – A deputada e presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada, questionou hoje a intenção do Governo em debater a questão da diáspora em “ambiente de campanha eleitoral”.

Ao intervir no início do debate parlamentar com o primeiro-ministro, sobre o tema “Diáspora e Desenvolvimento”, realizado a pedido do Governo, Janira Hopffer Almada, perguntou porquê é que só agora a maioria se lembrou de debater a diáspora cabo-verdiana.

“Nem em 2016, nem em 2017, nem em 2018 e nem em 2019 e só se vê interessa pela diáspora nesta ponta final do mandato”, disse.

Contudo a líder do principal partido da oposição aproveitou para revisitar os compromissos assumidos pelo Governo do MpD no seu programa para saber, quase cinco anos depois, o que foi efectivamente concretizado.

Neste sentido, questionou ao primeiro-ministro, se considera que a sua governação contribuiu para despartidarizar as questões relativas às comunidades emigradas quando nomeou embaixadores políticos.

“O senhor acha que, não tendo conferido dignidade institucional às comunidades, efectivou o seu compromisso de as ter como vertente prioritária do Estado? O senhor acha que foi justo com os emigrantes quando antes de avançar com o estatuto do investidor emigrante fez aprovar, na casa parlamentar, o green card para o investidor estrangeiro e lhes atribuiu muito mais incentivos do que aqueles que concedeu aos nossos concidadãos?”, questionou.

Janira Hopffer Almada sublinhou que a afirmação de Cabo Verde no mundo e, por consequência, a valorização da diáspora cabo-verdiana, têm de resultar de um esforço interno de credibilização e deve contar com mecanismos acertados de articulação entre a política interna e externa, cuja promoção deve ocorrer em todos os momentos.

Neste sentido, frisou que  quase cinco anos de mandato do actual Governo, a política externa cabo-verdiana conheceu momentos, no mínimo, lamentáveis com consequências para a questão da integração dos emigrantes cabo-verdianos.

A forma como Cabo Verde perdeu a presidência da CEDEAO, a gestão do dossier UNECA e aquilo que classifica de total desrespeito pelos diplomatas de carreira foram alguns aspectos que, na perspectiva de Janira Hopffer Almada, demonstram, muito bem, o “estado de saúde” da política externa.

“Esses episódios, aliados aos sucessivos desmentidos ao actual titular da pasta dos Negócios Estrangeiros, afectam a credibilidade do País e compromete a imagem externa de Cabo Verde, factores dos quais dependemos para a afirmação do nosso País no mundo e para a melhor integração da nossa diáspora nos países de acolhimento” sustentou.

Janira Hopffer Almada afirmou que o governo tem dado com uma mão e retirado com outra e referiu-se à venda dos TACV e da cessação de vários voos para vários países prejudicando uma grande diáspora na Guiné-Bissau, no Senegal e em Angola.

Fonte: Inforpress