PAICV SE POSICIONA SOBRE OS DADOS DO DESEMPREGO DIVULGADOS, DESDE 30 DE DEZEMBRO, E RETOMADOS, AGORA, COM ESTRANHAS MOTIVAÇÕES, MAS SEM SE INFORMAR O PAÍS ONDE É QUE ESSES SUPOSTOS EMPREGOS TERÃO SIDO CRIADOS

1. A 30 de Dezembro de 2019, o INE divulgou os Dados sobre o Emprego no país, sendo, de seguida, secundado pelos Membros de governo, com grandes manifestações de satisfação, pelo anúncio do desemprego.

2. À data, o PAICV se posicionou, estranhando que, nessa divulgação, não tenham constatado duas informações fundamentais para a análise dos dados sobre o emprego, em qualquer País:

a) Primeiro, não constavam na divulgação do INE os dados sobre os Sectores de actividade onde esses empregos,”supostamente” gerados,haviam sido criados;

b) Em segundo lugar, não constavam na divulgação do INE os dados sobre as Ilhas, Municípios ou Concelhos onde esses empregos , “supostamente” gerados, haviam sido criados.

3. À data, o PAICV solicitou ao INE essas informações.

Agora, e passados dois meses, vem o INE divulgar os Sectores de Actividade onde esses empregos terão sido “supostamente” gerados. Mas, o País continua sem saber onde é que esses “supostos” empregos terão sido gerados.

Apesar de o PAICV ficar satisfeito pelo facto de se vir divulgar, dois meses depois, uma das informações que solicitou (na sua Conferência de Imprensa, a 31 de Dezembro de 2019), não pode deixar de repudiar a clara tentativa do Governo de Cabo Verde, e da maioria que o suporta, de manipular as Estatísticas, com o objectivo de enganar os cabo-verdianos.

Vejamos:

• Por que razão vêm o Governo e o MpD anunciar, novamente e passados 2 meses, os dados do emprego, que já tinham sido socializados pelo INE (através da Nota de Imprensa do dia 30 de Dezembro de 2019, relativo ao 1.º semestre de 2019) ?

• Por que razão, o INE esperou 9 meses (6 meses em 2019 e 2 meses em 2020), para apresentar os dados completos do mercado de trabalho, relativos ao 1.º semestre (de Janeiro a Junho) de 2019?

• Em que data pretende o INE apresentar ao País os dados do 2.º Semestre de 2019 (ou seja, os dados de Julho a Dezembro)?

Mas, é preciso dizer aos cabo-verdianos onde estão esses empregos “supostamente” criados, pois se foram criados empregos, eles têm de estar em algum lugar!

Apelamos ao Governo que venha dizer aos cabo-verdianos onde é que esses supostos empregos foram criados.

• Foi em Santo Antão? Ou foi em São Vicente?
• Foi em São Nicolau ou foi no Maio?
• Foi em Santiago Norte, com 3 anos de seca consecutiva?
• Ou foi na Praia onde os Jovens se queixam todos os dias nas redes Sociais, da falta de empregos e de oportunidades?
• Foi no Fogo?
• Ou foi na Brava, que está a ficar com cada vez menos habitantes?

Cabo-verdianas e Cabo-verdianos,

O objectivo do actual Governo é claro:

Depois de ter destruído cerca de 15 mil empregos em 2017 e 2018 (6 mil empregos, em 2017, e 9 mil empregos, em 2018), o Governo tinha de passar a mensagem que o desemprego está a diminuir.

Até porque o Dr. Ulisses Correia e Silva e o Mpd prometeram 45 mil empregos dignos para os jovens cabo-verdianos.

E, estando já num ano pré-eleitoral, o Governo tinha de dar respostas.

Então, e não conseguindo gerar empregos, decidiu massificar os estágios profissionais!

E (claro) esses estágios profissionais foram contabilizados nos dados do Emprego, como o próprio INE reconheceu (em resposta á solicitação do PAICV, no dia 7 de Janeiro de 2020).

Há duas perguntas que importa colocar aos cabo-verdianos:

• Estágio profissional é emprego?

• Afinal, os 45 mil empregos dignos, prometidos aos jovens cabo-verdianos, eram estágios profissionais?

Samilo Moreira – Secretário Adjunto para Questões Estatísticas

Fonte: PAICV