PAICV se posiciona sobre os dados do desemprego divulgado pelo INE

O PAICV constata que a ausência de reformas e políticas ineficazes estão a destruir empregos em Cabo Verde.

Os recentes dados sobre o emprego, no País, divulgados hoje pelo INE, põem a nu o fracasso das políticas deste Governo em matéria do emprego, particularmente em relação à Juventude que acreditou na promessa da criação de 45 mil postos de trabalho, sendo 9 mil por ano.

Com efeito, os dados acabados de divulgar apontam para:

• Destruição de 8.775 postos de trabalho, somados a mais 6.000 do ano passado;

• Redução de taxa de ocupação de 51,9%, para 48,8%;

• Cerca de 29 mil jovens, com idade entre os 15-34, que não trabalham nem frequentam qualquer estabelecimento de ensino ou formação, sendo que nesta faixa etária está concentrada a maior força de trabalho.

O PAICV constata que o desemprego aumentou, mesmo nas Ilhas do Sal e da Boavista, onde nos anos anteriores havia mais facilidades de emprego.

Uma leitura atenta dos dados do INE mostra que foram criados, apenas, 1.396 postos de trabalho. Basta fazer a diferença entre a população desempregada em 2017 e em 2018.

Mas em Cabo Verde há fenómenos que precisam ser esclarecidos, senão estudados:

• Como entender uma economia a crescer, conforme se propala, e a destruição de 9.000 postos de trabalho?

• Temos mais empresas no País e a taxa de actividade cai de 59,2%, para 55,6%.

Os dados indicam também que, em 2018, tivemos mais desemprego nos Concelhos da Praia, de São Vicente e de Santa Cruz.

O desinvestimento no Sector Primário, particularmente na Agricultura, é visível com o desemprego a aumentar em mais 4.798 pessoas no meio rural.

Os resultados estimam um aumento da população inactiva (os desanimados) em mais 17.403, que somado aos 19.690, de 2017, perfazem um total de 37 mil pessoas, que já não têm esperança de encontrar emprego.

Aliás, o País conta, neste momento, com 44,4% de população inactiva, ou seja, os que não participam em qualquer actividade económica, sinal preocupante para qualquer economia.

O nível de confiança económica, que tantas vezes vem sendo badalado, não atingiu os trabalhadores deste País.
Sendo assim, não tem razão o Senhor Primeiro Ministro quando justifica o aumento do emprego com o número de inscrições no INPS. O que tem acontecido, neste caso, é a inscrição das pessoas que já trabalhavam e que não estavam inscritas na Previdência Social.

Esses dados mostram, claramente, que as políticas do governo precisam ser repensadas, sendo preciso passar dos discursos à prática no tocante à criação de empregos.

Já é altura de o governo deixar de promessas e de marketing e partir para a acção, pois os cabo-verdianos querem as soluções prometidas!

Fonte: PAICV