PAICV saúda retoma dos voos da TACV e exige do Governo garantias de um recomeço “transparente”

Cidade da Praia, 30 Dez (Inforpress) – O PAICV saudou hoje a retoma dos voos internacionais da TACV, afirmando que o Governo tem de garantir aos cabo-verdianos que o País não está perante mais uma aventura, com soluções avulsas sem consistência e rodeada de incertezas.

A posição do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) foi manifestada pelo secretário-geral, Julião Varela, em conferência de imprensa, para falar da retomada dos voos internacionais da transportadora aérea nacional.

“Sem grandes surpresas, apareceu nos céus de Cabo Verde, para depois pousar no aeroporto Nelson Mandela, na Praia, um avião ao serviço da extinta TACV, que ressurgiu das cinzas do que nos foi deixado pela desajustada e inconsistente parceria com a Icelandair. O PAICV, à semelhança de outras opiniões já manifestadas, saúda este ressuscitar dos TACV para, de novo, nos ligar ao mundo e minimizar os custos de um monopólio suportado pelos bolsos dos cabo-verdianos”, declarou.

Para o PAICV, realçou, depois das peripécias em torno dos negócios nebulosos e atentatórios aos interesses nacionais, feitos com a Icelandair, o mínimo que o Governo deverá fazer é um promover um recomeço das actividades com base na transparência e disponibilizar todas as informações aos contribuintes nacionais.

Segundo Julião Varela, os cabo-verdianos precisam ter garantias em como os seus recursos não serão, mais uma vez, disparatados por uma decisão pouco ponderada sem se acautelar os interesses nacionais, acrescentando que todos precisam saber, claramente, quais os planos futuros, que custos irão ser assumidos e para quando as soluções duradouras e estáveis para os destinos onde reside a maioria da diáspora cabo-verdiana.

No entanto, questionou o Governo o porquê de só agora se recorreu a esta saída de “wet leasing”, deixando o país por mais de um ano sem saída e obrigando os cabo-verdianos a suportar todas as dificuldades para viajar, de regresso e para fora, com custos elevadíssimos.

“O Governo tem de garantir-nos a todos que não estamos perante mais uma aventura, como das outras vezes, com soluções avulsas sem consistência e rodeada de incertezas”, afirmou, ressalvando que o Governo deve também aproveitar esta oportunidade para esclarecer a opinião pública o que é feito do avião arrestado na sequência do “escandaloso e falhado” negócio da privatização dos TACV.

Asseverou ainda que o executivo tem a oportunidade de esclarecer a todos qual o montante que foi retirado do INPS para socorrer o seu parceiro e como pensa repor este montante para não perigar a sustentabilidade das prestações destinadas aos contribuintes do sistema de protecção social.

Disse, por outro lado, que a retoma dos voos dos TACV acontece ao mesmo tempo que se reúne a Assembleia-Geral da empresa para, entre outras, apreciar e aprovar as contas, que a seu ver não vão bem, uma vez que vinham sendo acumulados avultados prejuízos, mesmo no momento considerado de bonança para os governantes.

 “Todos já sabiam que a Icelandair vinha multiplicando prejuízos de ano para ano, menos o Governo que mergulhou numa atitude de avestruz. Com efeito, esse negócio em 2017 teve um prejuízo de 3,7 mil milhões de escudos, prejuízo esse duplicado em 2018 para 6,7 mil milhões de escudos”, indicou.

Referiu ainda que o País espera que o Plano de Negócio anunciado pelo Conselho de Administração traga soluções consistentes e previsíveis, que envolvam o mercado doméstico e que acarrete menos prejuízos para os trabalhadores, em particular, e para os cabo-verdianos, de um modo geral.

A TACV Cabo Verde Airlines retomou, oficialmente, os voos internacionais no dia 27 de Dezembro, ligando Praia a Lisboa, com duas frequências semanais, à segunda e sexta-feira.

Na ocasião, a presidente do conselho de administração, Sara Pires, avançou que a retoma será gradual, tendo em conta as “incertezas e bloqueios” em resultado da evolução da pandemia da covid-19 e a recuperação dos mercados emissores.

CM/HF

Fonte: Inforpress