PAICV pede Governo que expanda programa de luta pela igualdade e equidade de gênero às comunidades emigradas

Cidade da Praia, 28 Mar (Inforpress) – A deputada Zenaida Borges, do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) pediu hoje ao Governo, mais precisamente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, para expandir o programa de luta pela igualdade e equidade de género às comunidades emigradas.

Assumindo-se como porta voz das comunidades emigradas, por causa da sua missão de deputada, Zenaida Borges, que falava em declaração política no Parlamento, no período de Questões Gerais, sugeriu que esse alargamento seja feito em concertação com os sectores da Família e Solidariedade Social e o sector da Justiça, tornando esta luta “muito mais abrangente” e cobrindo “todas as mulheres e homens cabo-verdianos” dentro e fora do país.

“É preciso estender esta luta à nossa diáspora e integrá-la também no processo.

Mas desejamos uma integração efectiva e com respaldo nos diferentes orçamentos, quer do Estado, como das sectoriais”, pediu a deputada para quem essa efectivação poderia ser feita com projectos próprios financiados através da cooperação externa, bilateral e multilateral vocacionados para a diáspora, de forma a que se assuma “por inteiro” e nas suas diferentes dimensões, o paradigma segundo o qual “ninguém deva ficar de fora”.

Com isso, acrescentou, poderia ser criada uma organização “mulheres emigradas” que teria como objecto a promoção da equidade de género nas comunidades emigradas, a luta contra todo o tipo de violência em relação às mulheres, crianças, adolescentes, homens e idosos e a cidadania e o empoderamento da mulher emigrante.

Por seu turno, referindo a nomes de mulheres que têm se destacado na sociedade cabo-verdiana, dentro e fora do país, a deputada Ana Paula Moeda salientou que as mulheres cabo-verdianas têm trilhado um “longo caminho para a realização prática e efectiva dos direitos que a Constituição democrática lhes confere”, para ”alterar um jogo de forças anacrónico, ainda baseado no género e sub-representação do feminino”.

Neste caso exaltou as conquistas como a criação da Rede das Mulheres Parlamentares, a Lei contra a Violência Baseada no Género e, agora, a Lei da Paridade.

“Esta proposta de Lei da Paridade que Defendo e que muitos de nós também defende, marca uma grande etapa democrática e revela uma preocupação conjunta de que as agendas pela igualdade são prioritárias”, sustentou a eleita do PAICV, defendendo que é preciso mudar o estado de coisas para reduzir o défice de paridade no Parlamento, no Governo, nas diversas instituições e nas empresas, em todas as entidades que “polarizam grandes decisões”.

A deputada do Movimento para a Democracia (MpD, situação) Celeste Fonseca usou da palavra para destacar a ex-autarca de São Vicente, Isaura Gomes, que segundo lembrou, “deu um contributo muito importante para a afirmação da mulher cabo-verdiana”, por ter sido Combatente da Liberdade da Pátria, deputada, presidente da Câmara de São Vicente, empresária e uma mulher “muito preocupada com o bem-estar do seu povo”.

A essas vozes associaram também os deputados Felisberto Vieira, que enalteceu todas as lutas da mulher cabo-verdiana, Dora Pires da União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição), que através de um poema homenageou as mulheres, Austelino Correia, que destacou as mulheres que labutam em condições adversas, principalmente as do campo e as rabidantes (mulheres que se dedicam ao comércio informal), entre outros

Fonte: Inforpress