PAICV felicita cabo-verdianas nomeadas no exterior e apela a mudança de mentalidade para a garantia da paridade

Cidade da Praia, 07 Jul (Inforpress) – A presidente do PAICV felicitou hoje as mulheres cabo-verdianas nomeadas no exterior para “altos cargos” e lembrou às autoridades nacionais que a mera aprovação da lei não irá garantir a paridade, caso não houver mudança de mentalidade.

Janira Hopffer Almada fez esta consideração a imprensa quando convidada a comentar o facto que considerou ser “grande conquista”, que honra as mulheres nomeadas, mas também o País e os cabo-verdianos.

A líder do PAICV referia-se às nomeações recentes de Cristina Duarte para conselheira para África do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e de Elisabeth Moreno, para dirigir o Ministério da Igualdade de Género, Diversidade e Igualdade de Oportunidades do governo francês, agora liderado por Jean Castex.

“As conquistas que as (os) cabo-verdianas (os) alcançam, seja cá dentro, seja lá fora, devem ser motivo de reconhecimento e valorização por todos, pois, ganha essas personalidades, mas ganha também o País”, completou a mesma fonte.

As conquistas dos cabo-verdianos, realçou, têm sempre impactos positivos no reconhecimento de Cabo Verde e no crescimento das competências.

Quanto à questão sobre a possibilidade de o partido apresentar surpresas para as eleições autárquicas no que se refere a cabeças de lista mulheres, Janira Hopffer Almada lembrou que foi eleita presidente do PAICV em 2014, uma época em que muitos não acreditavam que as mulheres tinham direito a se candidatar.

Apesar disso, salientou, sentiu da parte do povo e dos militantes do partido uma “grande valorização” daquilo que se poderia fazer ou não.

“Eu assumi um compromisso em 2016, em avançar com a Lei da Paridade, pois, acredito tratar-se de um instrumento importante, embora não encaro quotas como algo definitivo, mas sim na perspectiva de podermos criar condições para uma igualdade de oportunidades”, acrescentou.

Segundo Janira Hopffer Almada, o PAICV foi “o único partido politico” a elaborar o seu projecto de lei sobre a paridade e entregou à Rede das Mulheres Parlamentares e que foi tido em conta na lei aprovado no parlamento.

Sublinhou ainda que todos deveriam estar conscientes de que a mera aprovação da lei não ia garantir a paridade no País.

“Há todo um trabalho que tem a ver com mudança de mentalidade que deve ser feito de forma planeada e, sobretudo, com a possibilidade de conseguirmos alcançar os resultados”, avisou.

A presidente do PAICV vai mais longe ainda, ao afirmar que Cabo Verde teve o segundo governo paritário do mundo quando o seu partido esteve no Governo, altura em que não existia a lei da paridade.

Fazendo essa leitura acabou por esquivar-se da pergunta sobre se o PAICV vai ter ou não alguma mulher cabeça de lista para as autárquicas de 2020, deixando a surpresa para a hora certa.

Fonte: Inforpress