PAICV diz que hoje se verifica uma “deterioração” da situação energética no País

Cidade da Praia, 06 Out (Inforpress) – O PAICV disse hoje que se verifica uma “deterioração” da situação energética no País e que o Governo do MpD herdou, em 2016, uma Electra em “situação de estabilidade”, que fez “desaparecer os famosos apagões em Cabo Verde”.

“A transferência, consciente e deliberada, dos custos, quer das más políticas quer das ineficiências, para os consumidores, (…) justifica esclarecimentos por parte do executivo ao Parlamento”, frisou o líder do grupo parlamentar (GP) do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), considerando que o sector energético é “nevrálgico e estratégico” para o desenvolvimento do País.

João Baptista Pereira fez essas considerações durante a interpelação ao Governo sobre a política energética, um debate agendado a pedido dos deputados do partido da estrela negra.

O líder da bancada do PAICV lembrou que os sucessivos governos do seu partido, tendo sempre presente a energia como “fundamental” para o funcionamento de empresas e serviços, “mobilizaram recursos, internos e externos, e promoveram reformas estruturais para a qualificação do sector da energia em Cabo Verde”.

Conforme notou, quando o PAICV ganhou eleições em 2001, a empresa de produção de energia encontrava-se numa “situação dramática” de falta de investimentos, além de uma “privatização sem contornos claros e com cortes sistemáticos de energia”.

Para o maior partido da oposição, em 2016, o Governo do Movimento para a Democracia (MpD) “herdou uma Electra em situação de estabilidade”, que fez “desaparecer os famosos apagões em Cabo Verde”.

“As reformas e os investimentos empreendidos pelos Governos suportados pelo PAICV permitiram a instalação de centrais únicas, movidas maioritariamente a fuel, em praticamente todas as ilhas, promovendo a economia de escala e a eficiência energética, com benefícios directos para o consumidor final”, declarou João Baptista Pereira.

No entender dos deputados tambarina, uma outra dimensão da política energética que esteve em evidência, durante a governação anterior, é a das energias limpas, onde “projectos ambiciosos de aproveitamento das energias renováveis, designadamente a solar e a eólica, foram estruturados e implementados em Cabo Verde”.

“Prova disso são os parques eólicos e fotovoltaicos que foram edificados em algumas ilhas do País”, indicou o dirigente do partido da estrela negra.

Entretanto, contrariando a tese dos deputados do MpD de que o Governo não pode interferir na decisão do aumento do preço da energia eléctrica, por ser da competência apenas da Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME), o GP do PAICV recordou que o “contrato secreto” assinado em Março de 2021, com a Icelandair, o executivo de Ulisses Correia e Silva fez com que a Agência de Aviação Civil (AAC) “perdoasse milhões de escudos a esta empresa”.

“Nessa altura, os senhores esqueceram-se de que a AAC é uma autoridade reguladora independente e que não deveriam intervir”, apontou.

“E, agora, no momento de acudir aos cabo-verdianos, lavam as mãos e, portanto, nada têm a dizer”, comentou João Baptista Pereira.

Por seu turno, o deputado e líder da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), António Monteiro, intervindo no debate, declarou que Cabo Verde “não tem tido a capacidade de retirar da natureza todas as capacidades que tem em termos energéticos”.

“Temos chamado a atenção dos sucessivos governos para as políticas energéticas adoptadas no País e que não davam os frutos necessários no sentido de diminuirmos o custo do quilowatt por hora (kwh/h) e do metro cúbico de água para que realmente a população cabo-verdiana pudesse ter esses dois bens preciosos a um custo mais comportável com a capacidade financeira e económica das famílias, das empresas e de várias instituições”, asseverou o líder dos democratas cristãos.

Em seu entender, com a privatização da Electra nos anos 90 as coisas “não foram bem definidas para podermos realmente ter uma empresa com a competência técnica suficientemente madura e permitir a Cabo verde ter energia a um baixo custo”.

LC/HF

Fonte: Inforpress