PAICV diz que Governo “encenou o arresto” do boeing da CVA para “encobrir os erros” em torno da privatização dos TACV

Cidade da Praia, 29 Jun (Inforpress) – O PAICV (oposição) disse hoje, em comunicado, que o Governo “encenou o arresto” do boeing da CV Airlines, em regime de leasing operacional” para “encobrir os erros” em torno da privatização da transportadora aérea pública, TACV.

Para o Partido Africano da Independência de Cabo Verde, a privatização dos TACV foi um processo que desde o início se revelou “intransparente” e, agora, segundo essa organização política, “se delineia consequências imprevisíveis para o País”.

Para o partido da estrela negra, “após um longo período de inatividade, em parte explicada pela pandemia, o País permaneceu expectante em relação à anunciada retoma dos voos da CVA”.

“(…) Esperava-se a retoma dos voos, decisão que representaria uma esperança para as centenas de trabalhadores, após prolongado período de sofrimento e de incerteza em relação à continuidade da empresa cuja privatização foi anunciada, pelo primeiro-ministro, como uma segunda salvação”, lê-se no comunicado.

Na perspectiva do PAICV, foi o próprio Governo a accionar os mecanismos para abortar a retoma da actividade da CVA, “não permitindo que o voo, programado para Lisboa, [no dia 18 de Junho] se realizasse”.

Conforme o PAICV, os accionistas da CVA mostraram-se “surpresos e decepcionados” com as declarações do chefe do Governo, Ulisses Correia e Silva, “que fez abortar as negociações que vinham decorrendo com o parceiro estratégico, anunciando ao País o resgate dos 51% das acções, colocando fim à aventura em torno dos TACV, tantas vezes criticada e posta em causa pelos cabo-verdianos”.

“Após ter efectuado a venda da empresa sem que Cabo Verde tivesse recebido um único centavo e depois de ter concedido, à margem da lei, avultados avales, o primeiro-ministro veio, finalmente, dar-se conta que envolveu o País num mau negócio”, ressaltou o maior partido da oposição, acrescentando que o Governo “passou todo o tempo a fazer propaganda dos aviões que chegavam ao País, passando a mensagem que eram aviões da CVA e, portanto de Cabo Verde”.

Lembrou que o primeiro-ministro, em declarações anteriores, teria assegurado ao País “que o Governo não dava garantias a projectos ‘inviáveis’” e que teria dito que a garantia é apenas uma “certificação de confiança de qualidade que se transmitia aos parceiros”.

No dia 21 Junho, o Governo anunciou que vai encetar um processo para reverter a privatização dos 51% do capital da CVA que está na posse da Icelandic e, três dias depois, a ministra da Presidência do Conselho de Ministros, Filomena Gonçalves, confirmou que o executivo deu entrada no Tribunal com um processo “para arrestar” o único boeing da companhia aérea.

Entretanto, o primeiro-ministro explicou hoje que em relação à aeronave da CVA não se trata de um arresto, mas sim de uma providência cautelar para garantir que o avião não saia do País antes da conclusão do processo de privatização.

Por sua vez, o presidente do conselho de administração da CVA, Erlendur Svavarsson, numa mensagem enviada à imprensa, manifestou-se “surpreso e decepcionado” com a decisão do Governo de “tentar prender na ilha do Sal” o avião que “nem é propriedade da companhia”.

LC

Fonte: Inforpress