PAICV desafia Governo “a falar toda verdade” sobre o negócio da privatização dos TACV

Cidade da Praia, 17 Ago (Inforpress) – O PAICV desafiou hoje o Governo “a falar toda verdade aos cabo-verdianos sem subterfúgios e qualquer tipo de expedientes” sobre os compromissos do parceiro estratégico e os segredos do negócio da privatização e o futuro dos TACV.

Este desafio foi lançado pelo vice-presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Rui Semedo, em conferência sobre o negócio da privatização dos TACV, agora designada de Cabo Verde Airlines.

“Pensamos que é chegada a hora de o Governo falar toda a verdade, e apenas a verdade, aos cabo-verdianos, sem subterfúgios e sem qualquer tipo de expedientes, que mais soam a manobras de diversão”, desafiou, realçando que as recentes declarações do ministro do Turismo, Carlos Santos, sobre os TACV, com destaque para o estacionamento dos aviões da Cabo Verde Airlines em Miami, deixou a situação “ainda mais confusa” do que já estava porque “não disse absolutamente nada que interessasse ao esclarecimento de todos”.

Para o PAICV, segundo Rui Semedo, o parceiro Icelandair queria com isto colocar os seus aviões longe de Cabo Verde para poder negociar com o Governo “em situação de vantagem e em posição de força”, frisando que a ausência de aviões coloca aos trabalhadores “maiores dificuldades na reivindicação dos seus direitos”.

Rui Semedo considerou como “falsa a propaganda do Governo” de que em 2016, os TACV não tinham nenhum avião, quando, referiu, era do conhecimento de todos que a empresa tinha um boeing e três ATR a operar, normalmente.

“Todos sabemos também que foi a Icelandair que mandou parar o Boeing encontrado cá para se poder alugar os seus próprios aviões a um preço exorbitante e aí começa o grande problema desse ‘negócio da China’. Todos nós sabemos também, que os ATR foram retirados do circuito para entregar o mercado doméstico a uma operadora em regime de monopólio”, acusou.

Recordou, por outro lado, que no âmbito do processo da preparação dos TACV para a privatização, o Governo assumiu todas as dívidas e colocou a venda uma empresa limpa, sem nenhuma dívida e que aquando da venda dos 51% foi o parceiro que ficou a dever ao Estado de Cabo Verde cerca de 48 mil contos.

“Aqui também, o Governo deve mais uma explicação aos cabo-verdianos para ficarmos a saber se, para além dos avales, geramos novas dívidas ao parceiro estratégico quando se sabe que nem os 48 mil contos foram pagos, que a CVA deve a ASA e deve aos trabalhadores”, exigiu, acrescentando que o Governo deve também esclarecer, claramente, como está a negociar o futuro dos trabalhadores que estão submetidos a “vários sacrifícios e constrangimentos”.

Do ponto-vista do PAICV, asseverou, o Governo deveria também aproveitar esta oportunidade para esclarecer aos cabo-verdianos quais eram as cláusulas de confidencialidade deste negócio, e que seja partilhado com os cabo-verdianos os termos do Acordo Parassocial.

“Para o PAICV, os transportes aéreos são de importância vital para a unificação do mercado, para a coesão territorial, para a promoção da economia e para a conectividade de Cabo Verde com o mundo e, por isso mesmo, deve merecer uma atenção particular do Estado de Cabo Verde”, advogou, considerando que este assunto é “demasiadamente sério” para ser negociado “sem o conhecimento do povo e sem se acautelar, de forma clara, os interesses do País”.

Fonte: Inforpress