PAICV congratula-se com a escolha de Amílcar Cabral como segundo líder mundial

Cidade da Praia, 09 Mar (Inforpress) – O Partido Africano de Independência de Cabo Verde (PAICV) congratulou-se hoje com a escolha de Amílcar Cabral como segundo maior líder mundial de todos os tempos, numa lista elaborada por historiadores para a BBC.

Instado a pronunciar-se sobre essa notícia, durante uma conferência de imprensa convocada para reagir à suspensão dos voos internacionais a partir da Cidade da Praia, o presidente da Comissão Politica Regional do PAICV Santiago Sul, Carlos Tavares, disse tratar-se de um “reconhecimento justo” a esta figura de Cabo Verde, da Guiné-Bissau e da África.

“Amílcar Cabral deu um grande contributo na luta pela independência da Guiné e Cabo Verde, na construção da nação cabo-verdiana. Um filosofo, um político e também um humanista, pelo que consideramos que se trata de um reconhecimento justo a esta grande figura da história de PAIGC, do PAIGC e África”, classificou.

O ideólogo das independências da Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amílcar Cabral, foi considerado o segundo maior líder mundial de todos os tempos, numa lista elaborada por historiadores para a BBC.

A lista é da ‘BBC World Histories Magazine’ e foi feita por historiadores, que nomearam aquele que consideraram o maior líder, alguém que exerceu poder e teve um impacto positivo na humanidade.

Num trabalho que começou no início do ano, a revista contou com a colaboração dos mais destacados historiadores e a votação de leitores, que escolheram como o maior líder de sempre Maharaja Ranjit Singh, líder do império sikh do início do século XIX.

Maharaja Ranjit Singh foi considerado um modernizador e unificador, com um reinado que marcou uma era muito positiva para o Punjab e o noroeste da Índia. Teve mais de 38% dos votos.

E logo a seguir, com 25% dos votos, aparece Amílcar Cabral, descrito como o “combatente pela independência africana”, que reuniu mais de um milhão de guineenses para se libertarem da ocupação portuguesa, uma acção que levou outros países africanos colonizados a lutarem pela independência.

Depois de Amílcar Cabral, surge na lista o britânico Winston Churchill, com 07% dos votos, e em quarto lugar o Presidente americano Abraham Lincoln, seguindo-se na quinta posição a monarca britânica Elisabeth I.

A lista incluía o faraó AmenhotepIII, o rei inglês William III, o imperador da China Wu Zetian, a combatente francesa Joana d´Arc, o imperador do Mali Mansa Musa, a imperatriz russa Catarina, a Grande, ou o Papa Inocêncio III, entre uma vintena de nomes.

Amílcar Cabral foi escolhido pelo historiador britânico Hakim Adi, especialista em assuntos africanos, segundo o qual a luta de Amílcar Cabral pela independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde também transformou Portugal.

Nascido na Guiné-Bissau em 12 de Setembro de 1924, filho de cabo-verdianos, Amílcar Cabral fundou o Partido Africano da Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), lançando as bases do movimento que levaria à independência das duas antigas colónias portuguesas.

O fundador do PAIGC foi assassinado em 20 de Janeiro de 1973, em Conacri, em circunstâncias ainda hoje não totalmente claras, antes de ver os dois países tornarem-se independentes.

Fonte: Inforpress