PAICV alerta que País foi governado quatro anos sem pandemia que trouxe impactos negativos ao arquipélago

Cidade da Praia, 22 Jun (Inforpress) – O PAICV reconheceu hoje os impactos negativos da covid-19 em Cabo Verde alertando, entretanto, que não se pode “zerar” a governação do MpD durante quatro anos sem pandemia e executada em um ambiente internacional extremamente favorável.

A posição do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) foi defendida pela presidente Janira Hopffer Almada, em declarações à imprensa, à margem de um encontro com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que hoje auscultou os líderes dos partidos políticos com assento parlamentar para a preparação do orçamento rectificativo 2020.

Segundo esta responsável, o PAICV só poderá fazer um enquadramento mais aprofundado sobre o orçamento rectificativo depois de conhecer a proposta, adiantando, neste sentido, que o partido que lidera já está a trabalhar na apresentação de propostas para apresentar aos cabo-verdianos.

“A discussão desta temática implica responsabilidade e transparência e partilha de informações. Há um conjunto de questões que o PAICV insistentemente tem solicitado e colocado ao Governo, que são importantes para que a posição do PAICV seja em base fidedigna, mas também possa ajudar numa melhor contribuição, sempre a pensar em Cabo Verde”, referiu.

No seu entender, a pandemia do novo coronavírus veio demonstrar a grande importância do estado social e sua capacidade de resposta em situações de crise, defendendo, no entanto, a necessidade de se ter responsabilidades na gestão e condução do processo, uma vez que, sustentou, Cabo Verde é um país frágil, com parcos recursos e dependente da ajuda externa.

Apontou, a recuperação e dinamização da economia, a forte aposta para a inserção económica dos cabo-verdianos e o estímulo à inclusão dos grupos mais vulneráveis como aspectos importantes, alertando que está a emergir no País mais pessoas afectadas pela pobreza devido a pandemia.

“Esta pandemia teve impactos em Cabo Verde, nós sempre o assumimos, mas o que gostaríamos de dizer é que o PAICV sempre encarou com seriedade qualquer crise com impactos. Esta crise tem uma natureza diferente, porque é uma crise sanitária”, afirmou, advogando que todas as informações devem ser colocadas para a análise dos cabo-verdianos e dos deputados da Nação.

A pandemia, prosseguiu, começou a ter os efeitos em Cabo verde, concretamente, a partir de 10 de Março, lembrando, neste sentido, que a governação do Movimento para a Democracia (MpD-no poder) foi feita desde 2016 até ao surgimento de casos positivos e que é “inaceitável” que a mesma seja traduzida na pandemia.

“O que não podemos entender ou aceitar é que se esteja a traduzir toda a governação durante quatro anos na pandemia, porque não é verdade. Temos uma governação até 10 de Março sem pandemia e temos uma governação a partir de 10 de Março, já com a pandemia e, naturalmente, que a situação aí mudou, mas o País tinha as melhores condições do ponto de vista internacional”, declarou.

Segundo a líder do maior partido da oposição, durante quatro anos, o Governo do MpD teve uma maioria confortável no Parlamento para promover todas as suas reformas.

Acrescentou, ainda, que foi “propalada” que o País estava a crescer cinco vezes mais e que havia dinheiro que não acabaria mais, mas que o referido crescimento não foi inclusivo na vida dos cabo-verdianos.

Mostrou-se, por outro lado, preocupada com a questão das políticas de gestão dos solos e habitação do País, que se agravaram com a chegada da covid-19 ao arquipélago, sustentando que o PAICV assumiu com responsabilidade a questão da pandemia e os seus impactos e manifestou toda a sua disponibilidade em colaborar.

Fonte: Inforpress