PAICV acusa câmara da Praia de “governar para o lucro” e em “benefício de um pequeno grupo privado”

Cidade da Praia, 08 Jul (Inforpress) – O PAICV acusou hoje a Câmara Municipal da Praia de “priorizar os negócios” e de governar “em benefício de um pequeno grupo próximo do poder loca”, afirmando que Praia foi estruturada para ser uma capital “desorganizada” e “desigual”.

Esta acusação foi feita pelo secretário-geral adjunto do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Samilo Moreira, hoje, em conferência de imprensa sobre a gestão e políticas municipais adoptadas pela edilidade praiense durante os 12 anos de governação.

Para este responsável, “é evidente” que o crescimento da população na capital “não teve uma visão de desenvolvimento” que acompanhasse essa evolução demográfica, que, por sua vez, não foi acompanhada de medidas de política estruturantes que dessem resposta às necessidades prioritárias da população.

A Praia, afirmou, “não teve particularmente nos últimos anos e como objectivo, a defesa do interesse público e a promoção do bem comum”, acusando a autarquia de se concentrar na “rápida arrecadação das receitas” e de “não planificar o desenvolvimento sustentável” da capital.

Passados 12 anos de governação do Movimento para a Democracia (MpD, poder), a “Praia real”, segundo o secretário-geral adjunto, é uma cidade que “beneficia um pequeno grupo”, enquanto “a maioria passa por dificuldades”.

“E o resultado desta gestão, sem uma visão estratégica e pensando apenas nos períodos eleitorais, tem como resultados uma grande desorganização urbanística, ausência do ordenamento do território, escassez de recursos para os que precisam mais e uma concentração de riqueza num pequeno grupo, próximo do actual poder”, declarou, afirmando que há uma separação entre a “Praia para ricos” e “Praia para pobres”.

No seu entender, o que está a falhar é a fiscalização e penalização pela má gestão camarária e uma visão estratégica, que potencie o desenvolvimento da Praia “de forma planeada, sustentável, integrada e inclusiva”.

A gestão da Câmara Municipal da Praia, reforçou, tem sido caracterizada “por concessão de milhares de metros quadrados de terreno a um grupo restrito de pessoas e de empresas”, denúncias públicas de ocupação indevida e ilegítima e uma política de acesso a terrenos “apenas a quem possa pagar ou comprar”.

Samilo Moreira considerou, neste sentido, que a falta de uma política de ordenamento do território, a par da ausência de uma política de habitação de carácter social, tem potenciado as “construções clandestinas e inacabadas”, que, para além de “representarem um risco para a vida humana, aumentam as desigualdades sociais”.

“Uma câmara que tem recebido do Governo e por ano, valores astronómicos, de 2016 a 2019 recebeu de transferência do Governo mais de 6,5 milhões de contos, deveria trabalhar para melhorar as condições de vida da população da Praia, sobretudo daquelas que precisam mais”, declarou.

O PAICV, disse por outro lado, propõe a criação de condições para melhorar a vida de todos os praienses, destacando a garantia do planeamento urbanístico, melhoria das condições de saneamento, política transparente de acesso a lotes de terreno e criação de um verdadeiro programa de habitação social como algumas das propostas do seu partido.

Fonte: Inforpress