“Pacote para mitigação do mau ano agrícola não foi sentido pelos agricultores” – líder do PAICV

Cidade da Praia, 22 Dez (Inforpress) – A presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada, afirmou que o pacote de um milhão e cem mil contos para a mitigação do mau ano agrícola, anunciado pelo Governo, não foi sentido pelos agricultores.

A líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) que falava em entrevista à Inforpress, de balanço de 2018, também afirmou que este ano foi marcado por um “total desinvestimento” em “sectores fundamentais” do País como a Educação, a Habitação e a Saúde.

Segundo Janira Hopffer Almada, no que concerne ao plano de mitigação do mau ano agrícola e salvamento de gado, o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, anunciou que o país precisava de mais de um milhão de contos para execução do mesmo, aumentando o montante que antes era de 700 mil contos.

No entanto, defendeu, este plano não foi sentido pelos agricultores e pela comunidade rural deste País, mesmo neste momento em que a situação da seca se mantém.

“No combate à seca e mitigação do ano agrícola o resultado do ano passado nos faz já projectar a actuação deste ano”, concretizou a líder da oposição, que sublinhou que o Governo, perante “uma das maiores secas dos últimos anos”, retirou apenas cinco mil contos do Orçamento do Estado para essa luta.

“Aplaudimos o apoio da comunidade internacional em um milhão e cem mil contos, mas este não foi sentido pelos agricultores, criadores de gado e famílias mais carenciadas no mundo rural”, criticou JHA.

Trazendo como exemplo uma notícia divulgada pela Inforpress de um criador de gado em Santo Antão que foi obrigado a vender 20 cabras pelo preço de mil escudos cada, a presidente do PAICV afirmou que esta situação mostra desinvestimento deste Governo no sector da agricultura e no mundo rural.

No entender de Janira Hopffer Almada, o Governo de Ulisses Correia e Silva “não tem quaisquer visões concretas” para o sector da agricultura, “senão criticar as barragens”. Isto porque, segundo a mesma,“os dois centros de transformação agro-alimentar, feitos com apoio do Luxemburgo, e os quatro centros pós-colheita, ”heranças do mandato anterior” encontram-se “de portas fechadas”.

Para além do sector agrícola, a líder do PAICV também defendeu que há desinvestimento em outros sectores como a Habitação, porque Ulisses Correia e Silva desmantelou o projecto Casa Para Todos “sem apresentar nenhuma alternativa” para o problema da falta de habitação.

“Foi desmantelado o programa e não foi apresentado, três anos depois, nenhuma alternativa e o grande programa de habitação que Ulisses Correia e Silva tinha falado ainda ninguém conhece. Provavelmente não será implementado até ao final da legislatura porque já estamos com três anos de mandato e, portanto, com o penúltimo Orçamento do Estado aprovado”, analisou a líder do PAICV, para quem o Casa Para Todos era “o maior programa social e sustentável implementado no país desde a independência.”

Na educação Janira Hopffer Almada também fez duras críticas ao Governo, sobretudo na implementação dos agrupamentos escolares, que na sua óptica foram implementadas “sem qualquer medida legal” e traduziram-se “numa grande confusão” para a comunidade educativa, entre os quais, professores e alunos, levando-os “ao abandono escolar e muitas vezes à desintegração familiar”.

“Não houve um investimento para aumentar os apoios socioeducativos para as crianças e adolescentes que passaram a percorrer quilómetros para poderem chegar a uma escola, demonstrando claramente uma grande falta de visão para um sector fundamental como a educação, enquanto o Governo do PAICV fazia escolas e liceus, para fazer a educação chegar a todos”

Na área da Saúde, segundo Janira Hoffer Almada, “ficou evidente” que a saúde se tornou um luxo com os “preços exorbitantes” de taxas de serviços que estão a ser pagas, com transferências de doentes que “não estão a ser garantidas” como deveriam ser, sobretudo nas ilhas que não tem hospitais centrais, e que não tem consultas de especialidade.

“Se o Governo não tem política social, se já desmantelou Casa Para Todos, se os apoios socioeducativos estão a diminuir, há diminuição das bolsas de estudo e dos apoios da Ficase, se há taxas altas para a saúde, não se percebe bem para que serve o Cadastro Social”, questionou a presidente do PAICV, afirmando que o Cadastro Social é também uma herança do seu partido e serve para ajudar a implementar as políticas sociais “de forma mais transparente e mais justa”.

No entanto, apesar desse balanço, a líder do maior partido da oposição defendeu que a perspectiva para o próximo é de que “é possível fazer mais e melhor.”

Por isso, garantiu que a aposição “vai fazer tudo” para que se governe melhor, fiscalizando a implementação das medidas governamentais, mas também apresentando propostas alternativas “em prol da melhoria da vida das pessoas.”

Fonte: Inforpress